AGENDA LEGISLATIVA

Reforma administrativa e projeto do metanol prometem esquentar semana na Câmara

Prioridade de Hugo Motta, reforma administrativa enfrenta resistência, enquanto projeto do metanol busca “melhorar” imagem da Câmara após aprovação da PEC da Blindagem

Imagem Ilustrativa.Créditos: Agência Brasil/Arquivo
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Entre as propostas de destaque que devem ser analisados nesta semana na Câmara dos Deputados, estão o projeto de urgência sobre a crise do metanol nos etílicos e a reforma administrativa. O primeiro é visto como uma forma de “manutenção” na imagem da Casa, enquanto o segundo promete embates. Entenda.

Na tentativa de reaver sua imagem pública após o vexame que foi a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, a Câmara dos Deputados tenta se pautar pela crise das bebidas e aprovou o regime de urgência para o projeto de lei (PL) que trata o caso da falsificação de etílicos.

A reforma administrativa, uma das principais bandeiras do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve começar a tramitar já na próxima semana — e promete pegar fogo. O próprio Motta reconheceu que não há unanimidade possível sobre o tema. Os partidos de oposição alegam que a proposta pode fragilizar a estabilidade e enfraquecer o serviço público.

O PL da falsificação das bebidas

O projeto que trata da falsificação dos etílicos é o PL 2307/07, de autoria do deputado licenciado Otavio Leite (União-RJ), que classifica como crime hediondo a falsificação de alimentos e bebidas quando houver adição de substâncias capazes de causar risco à vida ou grave ameaça à saúde da população.

A medida ganha destaque em meio à recente crise envolvendo a contaminação por metanol em bebidas alcoólicas. Os casos já resultaram em internações graves, perda de visão e até mortes, expondo falhas na fiscalização  e acendendo alerta sobre a atuação de quadrilhas que adulteram produtos consumidos em larga escala.

Com a aprovação da urgência, a proposta poderá ser votada diretamente no Plenário, sem a necessidade de passar por comissões temáticas. A expectativa é de que o tema seja pautado rapidamente, diante da pressão da opinião pública e da gravidade dos episódios recentes.

A reforma administrativa

O texto da reforma administrativa, apresentado pelo relator do grupo de trabalho, deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), reúne um pacote de mudanças para o funcionalismo público dividido em três partes: uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), um Projeto de Lei (PL) e um Projeto de Lei Complementar (PLP).

O primeiro passo será na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que analisará a admissibilidade da PEC — etapa essencial antes de a proposta seguir para uma comissão especial. Essa nova comissão também deve avaliar o PL e o PLP, antes que as matérias cheguem ao plenário da Câmara.

Por se tratar de uma mudança constitucional, a PEC exigirá 308 votos favoráveis, em dois turnos de votação, para ser aprovada. Já o PLP precisará de maioria absoluta (257 votos), e o PL, de maioria simples entre os deputados presentes. Depois de passar pela Câmara, as propostas seguem para o Senado Federal.

A reforma propõe alterações profundas no regime de contratação, benefícios e progressão de carreira dos servidores. Entre os principais pontos estão:

  • Concursos públicos: passarão a depender de um diagnóstico prévio da força de trabalho, priorizando carreiras transversais. Também será possível ingressar em níveis mais altos da carreira em casos de especialização comprovada, limitada a 5% das vagas.
  • Estágio probatório: ganha caráter formal, com avaliações documentadas que podem resultar em exoneração.
  • Benefícios e auxílios: férias acima de 30 dias, licença-prêmio e adicionais automáticos poderão ser limitados ou extintos. Auxílios alimentação, transporte e saúde serão limitados a 10% da remuneração para quem recebe próximo ao teto.
  • Aposentadoria compulsória: deixará de ser usada como punição a juízes e membros do Ministério Público, que poderão perder o cargo em casos de falta grave.
  • Avaliação de desempenho: passará a ser critério para progressão funcional, cargos de confiança e bônus por resultados.
  • Planejamento e metas: governantes deverão publicar, em até 180 dias após a posse, um plano estratégico com metas de gestão.
  • Controle de gastos: estados e municípios terão um teto de despesas primárias a partir de 2027, com limites de crescimento de gastos acima da inflação.

A proposta ainda cria cotas de diversidade (mulheres, negros, indígenas, quilombolas e PCDs) para cargos de direção e prevê uma tabela remuneratória única em cada ente federado, com piso no salário mínimo e teto no limite constitucional.

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