O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quinta-feira (9) sua aposentadoria da Corte. Com a voz embargada, Barroso estava fortemente emocionado e precisou parar a sua fala seguidas vezes para tomar água.
Barroso pediu a palavra no final da sessão desta quinta-feira (9) no STF e afirmou que era 'hora de seguir outros rumos":
"Sinto que agora é hora de seguir outros rumos, que nem sei se estão definidos. Não tenho qualquer apego ao poder e gostaria de viver um pouco mais a vida que me resta, sem as disposições, obrigações e exigências públicas do cargo — com mais literatura e poesia."
Apesar de no começo de seu discurso ele se queixar das sanções que sofreu dos EUA e dizer que jamais imaginou que elas poderiam impactar seus familiares, Barroso afirmou que a sua decisão não tem relação com a atual conjuntura politica.
"Nada tem a ver com qualquer fato da conjuntura atual. Há cerca de dois anos, comuniquei o presidente da República dessa intenção", declarou Barroso.
Em seu discurso de despedida, ele saudou todos os colegas de Corte e afirmou que "não carrega arrependimentos": "Todos nós aqui julgamos causas difíceis, complexas, com interesses múltiplos, e cada um procura fazer o melhor. De minha parte, ao longo desses anos, diante de questões delicadas, estudei e refleti sobre a coisa certa a fazer. E fiz. Não carrego arrependimentos."
Assista:
A trajetória de Barroso
Luiz Roberto Barroso nasceu em 11 de março de 1958, em Vassouras (RJ). Tornou-se ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2013, indicado pela então presidente Dilma Rousseff.
Formado em Direito pela UERJ, Barroso também é mestre pela Universidade de Yale e pós-doutor pela Harvard Law School. Sua trajetória acadêmica é marcada por uma atuação intensa como professor titular de Direito Constitucional na UERJ e como docente visitante em universidades da França, Polônia e Brasil.
Antes de chegar ao STF, Barroso construiu uma carreira sólida como advogado e procurador do Estado do Rio de Janeiro. Ficou conhecido por defender causas de grande impacto, como a legalização da união homoafetiva, o direito ao aborto em casos de fetos anencéfalos, a proibição do nepotismo e a liberação da pesquisa com células-tronco embrionárias.
No Supremo, se destacou por decisões que reforçam os direitos fundamentais e a democracia. Foi relator de temas como a limitação do foro privilegiado, a suspensão de despejos durante a pandemia, a execução imediata de penas decididas pelo júri e o piso salarial da enfermagem.
Em setembro de 2023, assumiu a presidência do STF, cargo que ocupou até setembro de 2025. Ao longo da carreira, recebeu diversas homenagens, incluindo a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco.
Barroso é reconhecido por seu perfil liberal e progressista, com forte defesa das liberdades civis, da dignidade humana e do Estado democrático de direito.
Com a saída de Barroso, começa a disputa pela vaga no STF, que será preenchida por um nome indicado pelo presidente Lula (PT).