A gestão do prefeito de Guarulhos, Lucas Sanches (PL), dobrou a aposta na partidarização dos espaços públicos e agora avança sobre as escolas municipais. Muros que antes ostentavam desenhos e trabalhos artísticos de crianças estão sendo cobertos por uma camada de tinta azul, uma das cores do Partido Liberal.
A ofensiva ocorre menos de um mês após a Justiça determinar que o mesmo prefeito e seu secretário repintassem, com dinheiro do próprio bolso, o gradil do Bosque Maia, que havia sido pintado de amarelo em um esquema de padronização partidária.
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Vídeos e relatos recebidos pela Fórum mostram funcionários cobrindo os murais infantis, que eram motivo de orgulho para a comunidade escolar. Segundo fontes, o secretário de educação teria afirmado que a meta é pintar 100% das unidades escolares de azul, "cobrindo de forma profana os trabalhos das crianças".
Este novo ato é um desdobramento de uma estratégia de marketing político que já foi alvo de ações na Justiça e que agora ataca o ambiente pedagógico, transformando escolas em outdoors para as cores do PL.
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Justiça viu "promoção político-partidária" no Bosque Maia
No dia 21 de outubro, o juiz Rafael Tocantins Maltez, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Guarulhos, proferiu uma dura decisão contra o prefeito Lucas Sanches e seu secretário Alex Mendes Nepomuceno. A sentença, referente à Ação Popular movida pelo ex-prefeito Eloi Pieta (Solidariedade), analisou a troca da cor do gradil do Bosque Maia, do tradicional verde oliva para o amarelo.
Embora o juiz tenha considerado que não havia provas de que o bosque era formalmente "tombado", ele foi taxativo ao identificar a ilegalidade da pintura. Segundo Maltez, a mudança de cor não tinha nenhuma justificativa técnica e comprometia a "transparência e a racionalidade dos atos administrativos", especialmente por envolver gasto de dinheiro público.
O magistrado destacou que a padronização visual com as cores do partido "sugere a prática de atos voltados à promoção pessoal ou político-partidária". O juiz classificou a conduta como uma "afronta diretamente os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa" , previstos na Constituição Federal.
Baseando-se em jurisprudência que classifica o uso de cores de campanha em bens públicos como ato de improbidade administrativa, o juiz determinou:
"DEFIRO a tutela provisória para que os réus providenciem, imediatamente, às suas próprias expensas [às suas próprias custas], a pintura do gradil do Bosque Maia na cor anterior, qual seja, verde oliva."
A decisão sobre o Bosque Maia foi uma derrota específica e simbólica para o prefeito, mas não impediu que a lógica de partidarização avançasse para outros setores. Ao mandar pintar as escolas de azul, a gestão de Lucas Sanches ignora o recado da Justiça e o princípio da impessoalidade, desta vez apagando a expressão cultural e pedagógica dos próprios alunos da rede municipal.