Ameaçado por Flávio e Eduardo Bolsonaro (PL), que anunciaram que querem alguém do clã na cabeça de chapa da disputa presidencial, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) resolveu assumir a candidatura anti-Lula e, em vídeo divulgado em suas redes neste domingo (16), atacou o presidente em dobradinha com o empresário Tallis Gomes, um dos donos da G4 Educação, que ganhou notoriedade ao atacar mulheres em postos de comando de empresas e por dizer que não contrata esquerdistas.
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Apoiador contumaz do ex-governo de Jair Bolsonaro, Gomes se notabilizou por dizer, em julho de 2024, que não contrata "esquerdistas" e que nenhuma empresa vai pra frente se não impor uma carga horária de 70 ou 80 horas semanais.
"Cara, eu não contrato esquerdista. Essa é a base da nossa cultura. Eles são mimizentos, não trabalham duro, ficam com esses negócios de que parece que todo mundo deve algo pra eles", disse em entrevista a um podcast.
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"Meu irmão, não tem esse negócio de home office [...] acho que funciona [o home office] de sábado e domingo, de segunda a sexta tem que ir normal para o escritório. Cara, se você não meter umas 70 horas ou 80 horas por semana de trabalho você não vai conseguir nada na vida. Eu estou falando seríssimo: não contrate esquerdistas, dá merd*", emendou.
Poucos meses depois, Gomes voltou a aparecer com uma declaração misógina ao dizer em publicação nas redes que o cargo de CEO "não era o melhor uso da energia feminina". Segundo o empresário, "o mundo começou a desabar exatamente quando o movimento feminista começou a obrigar a mulher a fazer o papel de homem".
Dobradinha e campanha para Tarcísio
O vídeo publicado por Tarcísio é um corte feito de sua participação em uma conversa com Tallis Gomes na última sexta-feira (14) no G4 Valley, autopromoclamado "maior evento de empresários do Brasil.
No corte, Tarcísio elogia o "país maravilhoso que é o Brasil" e ouve de Gomes que "está mal gerido hoje, o CEO é muito ruim". CEO é a sigla, em inglês, para Chief Executive Officer e significa Diretor-Executivo - uma referência clara ao presidente Lula.
Após listar uma série de oportunidades que o Brasil oferece, Tarcísio afirma que é preciso "política pública para aproveitar isso".
"Então, primeira coisa, demite seu CEO. Segunda coisa, vamos arranjar todo esse conjunto de operações para a gente trazer para cá o reencontro com nosso potencial e economia do conhecimento é um potencial do Brasil", emenda, antes de aparecer em uma foto com a bandeira do Brasil.
Tarcísio, no entanto, esconde Tallis Gomes na publicação - que é quem segura a bandeira do outro lado.
A dobradinha, no entanto, fica nítida no perfil do Instagram do empresário ultraliberal, que foi o primeiro a divulgar o corte do mesmo trecho compartilhado por Tarcísio, com um contexto maior.
"Quem você indicaria como novo CEO do Brasil?", indaga Gomes na publicação, incitando o público a "demitir o CEO do Brasil.
Cortes
Na mesma semana em que a Fórum revelou a existência de um campeonato de cortes pró Tarcísio por empresas de tecnologia, o presidenciável da terceira via participou do evento de Tallis Gomes, que fez ao menos cinco cortes da conversa com o governador paulista - incluindo o que seguram a bandeira do Brasil.
Além da participação no palco, feita na medida para gerar cortes lacradores nas redes, Tallis Gomes fez uma entrevista no estilo pingue-pongue sobre os principais temas de interesses da Faria Lima, como a privatização das estatais.
Nesse vídeo, o empresário faz perguntas levantando a bola para ter diretas rápidas de Tarcísio, com termos visando a propagação e lacração nas redes.
"Empresas estatais: patrimônio público ou puro suco de ineficiência?", indaga Gomes, dando de presente o jargão para ser usado por Tarcísio.
"A maior absoluta dos casos puro suco de ineficiência. As que a gente está privatizando já estão voando e entregando resultados extraordinários".
Antes, Tarcísio é indagado "como não ceder ao sistema", em relação direta a Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que dias antes havia classificado o aliado de "candidato do sistema".
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