Omid Nouripour, um dos líderes do Partido Verde, condenou a fala do chanceler alemão Friedrich Merz, líder da Democracia Cristã, como "arrogância colonial".
Merz, ao retornar à Alemanha depois de participar da COP 30 em Belém, fez referência "àquele lugar", a capital paraense, como um inferno de calor na Amazônia.
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Omid, de ascendência iraniana, é um dos vice-presidentes do Bundestag, o Parlamento alemão.
A fala de Merz foi vista como uma tentativa nacionalista de dizer que a Alemanha é um paraíso diante do que ele e jornalistas alemães vivenciaram em Belém:
Em Belém vimos como é importante manter o equilíbrio entre proteção do clima e crescimento econômico. Lá, o debate foi intenso, o calor era insuportável e as negociações se arrastavam até de madrugada. Aqui na Alemanha fazemos política climática com a economia, não contra ela. Por isso todos ficaram aliviados quando o avião decolou de volta para Frankfurt.
Pelo discurso, deduz-se que Merz acredita que o Brasil pratica crescimento econômico "contra o clima".
Fitzcarraldo
Desde que os primeiros "naturalistas" desembarcaram no Brasil, em expedições de "descoberta", eles se fixaram no exotismo do país, que vendia muito ao público europeu.
Pela primeira vez, este público teve acesso a impressos com descrições e imagens de "povos sem alma".
Debret, Frans Post e outros, com suas obras geniais, precisam ser entendidos neste contexto.
Até hoje, museus sofisticados, como o de Amsterdã, vendem o Brasil como um país onde qualquer um pode ser devorado por uma onça.
O filme que supostamente pretendia demonstrar a loucura capitalista de Brian Sweeney Fitzgerald, que queria levar a ópera até Iquitos, no Peru, de fato explorou mão-de-obra da etnia Ashaninka no brutal trabalho de transportar um barco por sobre uma montanha.
O diretor Werner Herzog foi premiado pelo filme Fitzcarraldo, mas não sem que críticos notassem que o filme termina com uma mensagem de "colonialismo do bem".
Em resumo, a ideia de hierarquia entre o mundo ideal de Merz e o "daquele lugar" calorento não é propriamente uma descoberta.
Merz é um multimilionário alemão que representa a suposta superioridade alemã sobre povos que sobrevivem felizes a um calor de 50 graus.
O mundo já viu isso antes, nos anos 30 do século passado.