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Daniel Vorcaro: quem é o playboy ostentador que virou “lobo da Faria Lima” e acabou preso pela PF

Prisão do banqueiro expõe a combinação explosiva entre ostentação, vínculos políticos com o bolsonarismo e suspeitas de ligação com operações financeiras ligadas ao PCC

Daniel Vorcaro.Créditos: Rubens Cavallari/Folhapress
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Daniel Vorcaro, conhecido como “lobo da Faria Lima” e símbolo de ostentação no mercado financeiro, viu sua trajetória ruir nesta segunda-feira (17).

O dono do Banco Master foi preso pela Polícia Federal ao tentar fugir em um jato particular rumo a Malta, partindo do terminal executivo de Guarulhos. Para os investigadores, Vorcaro tentava deixar o país após a divulgação da venda do Master para um consórcio liderado pela Fictor Holding.

A detenção ocorreu horas depois do empresário deixar a sede do banco e embarcar em um helicóptero em direção ao aeroporto. Na manhã desta terça-feira, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e bloqueou os bens de seus controladores e ex-dirigentes.

A prisão faz parte da operação Compliance Zero, que cumpre mandados em cinco estados e no Distrito Federal para desarticular um esquema de emissão de títulos de crédito falsos dentro do sistema financeiro nacional. É o capítulo mais dramático de uma sucessão de controvérsias que já vinham cercando o banqueiro.

Colapso anunciado

Mesmo antes da operação, Vorcaro já era alvo de suspeitas no mercado. No início de 2025, uma articulação do governador Ibaneis Rocha para comprar 49% do Banco Master por R$ 2 bilhões, via BRB, acendeu um alerta. O Master era considerado insolvente e chegou a ser negociado ao BTG por apenas R$ 1 meses antes.

O Banco Central barrou a operação, o que provocou reação imediata de aliados de Vorcaro. O PP de Ciro Nogueira, político com quem o banqueiro mantinha relação estreita, passou a articular uma mudança legislativa para permitir ao Congresso demitir diretores do BC, o que foi considerado por analistas como uma tentativa de retaliação.

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Proximidade com o bolsonarismo e o PCC 

A ascensão de Vorcaro em Brasília também se deu graças à parceria com seu sócio no Master, o baiano Augusto Lima. Em janeiro de 2024, Lima se casou com a ex-ministra bolsonarista Flávia Arruda, reforçando a ponte entre o círculo do banqueiro e figuras como Ibaneis Rocha, José Roberto Arruda e lideranças do PL no Distrito Federal.

Flávia, que já havia sido primeira-dama do DF e ministra de Bolsonaro, retomou o sobrenome Péres ao se casar com Lima e assumiu a presidência da ONG Terra Firme, fundada pelo marido. O casal passou a figurar com destaque em eventos políticos, ampliando o alcance de Vorcaro nos bastidores do poder.

As preocupações sobre o Master aumentaram quando a REAG Investimentos, ligada à instituição, se tornou alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro do PCC no mercado financeiro.

O Sindicato dos Bancários do DF alertou para o risco de o BRB absorver ativos “contaminados por suspeitas criminais”, caso a compra do Master fosse autorizada. Para analistas, esse episódio pesou na decisão final do BC de sustar a operação.

A PF também apura a fabricação e venda de carteiras de crédito sem lastro entre 2024 e 2025. Os títulos eram repassados a outras instituições e, após fiscalização do BC, substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada. A manobra teria inflado artificialmente o patrimônio do Master.

O império em ruína em meio a uma vida de ostentação 

Mineiro de Belo Horizonte, Vorcaro construiu uma imagem pública marcada pelo luxo. Ele comprou 26,9% da SAF do Atlético Mineiro, tornando-se um dos principais investidores do clube. Adquiriu a mansão mais cara já vendida em Orlando por US$ 37 milhões e uma propriedade em Trancoso por R$ 280 milhões. Também é dono de um jatinho avaliado em R$ 80 milhões.

Vorcaro também é maior acionista da Biomm, uma empresa farmacêutica sediada em Minas Gerais. As ações da empresa chegaram a subir 67% na bolsa de valores após divulgação de um medicamento similar ao Ozempic para o Brasil a partir de 2026. 

Em 2023, gastou R$ 20 milhões na festa de 15 anos da filha, com show do The Chainsmokers. O bufê ficou em R$ 1,5 milhão e o bolo, levado de avião de São Paulo para Minas, custou R$ 25 mil. Na mesma época, declarou ao Valor Econômico que havia comprado o hotel Fasano Itaim “na pessoa física”.

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