O Fórum Onze e Meia desta terça-feira (18) recebeu o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli (PSB), para falar sobre os últimos desdobramentos das operações envolvendo o banco Master e o Banco de Brasília. Desde março deste ano, Cappelli vem fazendo uma série de denúncias contra a compra do Master pelo BRB.
Nos últimos meses, o processo de compra e venda gerou debates e escândalos até culminar na prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (18). A operação, batizada de Compliance Zero, foi feita junto ao Ministério Público Federal (MPF) e revelou um esquema fraudulento de criação de títulos de crédito sem lastro real, vendidos a instituições financeiras. Entre essas instituições, estava o BRB.
Te podría interesar
LEIA TAMBÉM: Cappelli pede intervenção no BRB após prisão de Vorcaro, dono do Banco Master
À Fórum, Cappelli afirmou que todo esse esquema "pode se encontrar com Operação Carbono Oculto", deflagrada pela PF em agosto deste ano contra sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis envolvendo o PCC. Cappelli afirma que vários servidores o procuraram, após suas denúncias, para relatar que o BRB, de forma ilegal, pegou dados dos servidores do Distrito Federal, que são correntistas do BRB, e abriu contas falsas de aplicação financeira na Genial Investimentos, que gerenciava um dos fundos investigados na Operação Carbono Oculto por suspeita de lavar dinheiro do crime organizado.
Te podría interesar
"Então, a operação de hoje pode estar se encontrando com a Carbono Oculto", afirma Cappelli.
Denúncia de Cappelli
Cappelli relembrou a linha do tempo de suas denúncias contra o esquema entre o Master e o BRB. Ele começou a denunciar quando rumores circularam de que o Banco de Brasília iria comprar o Master por 2 bilhões de reais. "O Banco Master estava visivelmente enrolado e fez uma série de operações sem cobertura, tudo indica usando o FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, como pirâmide financeira. E de repente aparece a solução mágica. Quem vai salvar o Master é o BRB", relembra Cappelli.
"Como isso acontece? Flávia Peres, ex-Flávia Arruda, foi ministra palaciana de Bolsonaro. Ela é casada com quem? Com Augusto Lima, que era sócio do Banco Master. O Banco Master fica em dificuldade. Flávia Peres, aqui do Distrito Federal, Augusto Lima da Bahia, começam a procurar saídas para o Banco Master", acrescenta Cappelli. O presidente da ABDI ainda relembra que Ciro Nogueira, atual senador e ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) tentou emplacar Paulo Henrique na presidência da Caixa Econômica Federal, que perdeu a disputa e foi parar no Banco de Brasília.
"Então, Flávia Peres, Augusto Lima e Ciro Nogueira batem Ibanês, Celina e Paulo Henrique, e tentam construir essa operação toda para salvar o Banco Master utilizando o dinheiro do povo do Distrito Federal", afirma Cappelli.
"O que foi se descobrir que eles já tinham feito uma série de operações preparatórias para fusão. Eu vi o diretor-geral da Polícia Federal, André Rodrigues, dizendo que as fraudes podem chegar a 12 bilhões de reais. E essas são as informações que já circulavam há algum tempo. O mercado dizia que o BRB transferiu ao Master R$ 11 bilhões por papéis quem segundo o mercado, valeriam no máximo R$ 3 bilhões. Se comprovado isso, estamos diante de um rombo de R$ 8 bilhões no mínimo", declara o presidente da ABDI.
"Então é muito grave o que está acontecendo", diz Cappelli. Ele ainda cita outro dado importante referente à inadimplência do BRB. "No balanço do primeiro trimestre deste ano eles publicaram uma inadimplência de 2,4 bilhões de reais. No segundo trimestre, publicaram um balanço com uma inadimplência de 13,1 bilhões. Então a inadimplência saltou 10 bilhões em 3 meses. Tudo indica que eles fizeram o quê? Nesses 3 meses, eles internalizaram a fraude do Master para dentro do balanço do BRB. Eu denunciei isso e o BRB veio a público e disse que tinha sido um erro na calculadora", relembra Cappelli.
Confira a entrevista completa de Ricardo Cappelli ao Fórum Onze e Meia