O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou que não pretende atuar na articulação política para garantir a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, o atual advogado-geral da União precisará do apoio mínimo de 41 dos 81 senadores para assumir a cadeira na Corte.
Ao ser questionado sobre o tema, Alcolumbre adotou tom de distanciamento. “Não é problema meu. Estou fora disso”, afirmou à coluna de Paulo Cappelli no Metrópoles.
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A declaração reforça o desgaste entre o presidente do Senado e o Palácio do Planalto. Alcolumbre defendia abertamente a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o STF, nome que acabou preterido por Lula. A postura do senador sugere que o governo não contará com seu empenho nos bastidores para assegurar uma votação confortável para Messias.
Sabatina marcada
Na terça-feira (25/11), Alcolumbre anunciou que a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça ocorrerá em 10 de dezembro. Só depois da aprovação na CCJ é que o nome segue para votação no plenário do Senado.
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A demora entre a indicação presidencial e a análise pelo Legislativo costuma ser considerada desfavorável ao indicado, pois o mantém por mais tempo exposto a pressões políticas e críticas públicas. Por outro lado, um intervalo muito curto reduz o período para negociações e para a tradicional rodada de visitas aos gabinetes, estratégia usada por todos os candidatos ao STF para buscar apoio dos parlamentares.
Messias tenta equilibrar essas variáveis enquanto articula sua campanha no Senado, num ambiente em que o principal responsável pela condução do processo dá sinais claros de distância — e de insatisfação com a decisão do Executivo.