O general Augusto Heleno, 78, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Jair Bolsonaro, informou sofrer de Alzheimer desde 2018 durante o exame médico obrigatório realizado nesta terça-feira (26) no Comando Militar do Planalto, em Brasília. O procedimento antecedeu seu recolhimento para cumprir a pena de 21 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na tentativa de golpe de Estado.
De acordo com o registro do exame, Heleno relatou perda significativa de memória recente e informou ainda ter prisão de ventre e hipertensão, condições tratadas com medicação. O documento aponta que o objetivo da avaliação era registrar o estado de saúde geral do militar, bem como identificar doenças preexistentes e eventuais lesões.
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Apesar do diagnóstico, a médica responsável descreveu o general como estando em “bom estado geral”, alerta e com sinais vitais regulares. “Trata-se de indivíduo idoso, com aparência condizente com a idade biológica, colaborativo e com estado emocional estável”, diz o relatório. A única queixa apresentada por ele no momento foi dor nas costas.
Condenação e local de cumprimento da pena
Como general de quatro estrelas, Heleno só pode cumprir pena em instalações comandadas por oficiais da mesma patente. Por isso, foi levado ao Comando Militar do Planalto, localizado próximo à Praça dos Cristais e ao Quartel-General do Exército, em área militar de acesso restrito.
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Heleno chefiou o GSI entre 2019 e 2022 e foi condenado junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros militares por tentativa de golpe e mais quatro crimes. Durante o julgamento, o STF destacou sua participação em reuniões realizadas no Palácio do Planalto para buscar respaldo institucional a medidas de ruptura, mesmo sem qualquer indício de fraude no processo eleitoral.
Na terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes decretou o trânsito em julgado da ação penal, encerrando a possibilidade de recursos e determinando o imediato início do cumprimento das penas.
O papel do GSI e a atuação da Abin
O GSI é responsável pela segurança pessoal do presidente da República, do vice e de seus familiares, além de assessorar o chefe do Executivo em temas militares e de inteligência. Até 2023, o órgão abrigava a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Durante o governo Bolsonaro, investigações da Polícia Federal apontaram que a Abin, então comandada pelo deputado Alexandre Ramagem — também condenado no processo da trama golpista — operou uma estrutura paralela de inteligência para monitorar adversários políticos do presidente.