MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

A tentativa de golpe e seu entorno: a hora e a vez dos caminhoneiros

MPF processa motoristas e transportadoras por bloqueios na Via Dutra durante atos antidemocráticos de 2022

Caminhoneiros bloqueiam Via Dutra (2022).Créditos: MAURO PIMENTEL/AFP
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O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil contra cinco caminhoneiros e duas transportadoras acusados de participar dos bloqueios na Rodovia Presidente Dutra, entre São José dos Campos e Jacareí (SP), no fim de 2022, após a derrota eleitoral do então presidente Jair Bolsonaro. O órgão pede indenizações que variam de R$ 5 mil a R$ 40 mil por danos morais coletivos, de acordo com o nível de envolvimento de cada acusado.

Os protestos, realizados entre 31 de outubro e 2 de novembro de 2022, integraram a onda de manifestações antidemocráticas que se espalhou pelo país com pedidos de anulação do resultado das urnas e de intervenção militar. Segundo o MPF, três dos caminhoneiros atuaram como líderes do movimento, descrito pela Procuradoria como de motivação “antidemocrática”.

Dois dos acusados também já tinham participado de outro bloqueio no mesmo trecho em 2021, durante atos contra a alta dos combustíveis, a política de preços da Petrobras e os valores do frete. Nesse episódio, segundo inquéritos da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, houve inclusive sabotagens a veículos: mangueiras de combustível teriam sido cortadas e sistemas de freios danificados para impedir a liberação do tráfego.

Prejuízos expressivos

Na ação, o procurador Fernando Lacerda Dias afirma que as interdições provocaram prejuízos expressivos à população e à atividade econômica. Entre os impactos, cita a interrupção do transporte de mercadorias, a dificuldade no deslocamento de pacientes para atendimentos emergenciais e o comprometimento da distribuição de medicamentos.

“Essas consequências transcendem o mero transtorno individual, configurando severo ataque à ordem pública e à economia nacional”, diz o procurador. Para ele, os bloqueios geraram “frustração em massa, sensação de insegurança e instabilidade social”, ao expor a fragilidade da infraestrutura logística diante de atos ilegais.

De acordo com a PF e a PRF, no bloqueio de 2022 os caminhoneiros abandonaram seus veículos na altura do km 161 da Dutra, próximo à Refinaria Henrique Lage (Revap), impedindo a passagem de outros motoristas. O MPF pede que todos os réus sejam responsabilizados civilmente pelos danos coletivos decorrentes da paralisação.

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