O advogado Luiz Carlos Rocha, o "Rochinha", relatou detalhes dos bastidores da prisão do presidente Lula (PT) em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019, em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta quinta-feira (27). Rochinha revelou que Sergio Moro, na época juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, impôs uma série de proibições a Lula, e comparou as condições do presidente às de Jair Bolsonaro preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Rochinha relata que a cela em que Lula ficou preso não tinha frigobar nem ar-condicionado, diferente do local em que Bolsonaro está, e que ao solicitar a geladeira compacta, o pedido foi negado por Sergio Moro. "Nós tentamos colocar um freezer e o Moro proibiu. Então, o presidente tinha que se virar com um cooler que a gente ficava levando gelo de manhã e à tarde para manter o cooler resfriado para ele poder conservar o coisas como queijo, iogurte, leite", relembra Rochinha.
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O advogado conta também que o cômodo tinha somente uma janela basculante que abria pouco, com vidro jateado que não permitia enxergar a parte exterior. Também havia um banheiro simples com box de plástico, uma cama de madeira simples e um armário pequeno, além de uma televisão também pequena. Posteriormente, os advogados conseguiram colocar uma esteira e alguns pesos para ele praticar exercício, e uma cafeteira. Rochinha define a cela como um "ambiente absolutamente franciscano".
Já o cômodo em que Bolsonaro está preso já conta com ar-condicionado e um frigobar, além de uma televisão maior que a do presidente Lula.
Veja imagens da cela de Bolsonaro e de Lula.
Visitas religiosas proibidas
Em relação às visitas, Rochinha relatou que, no começo, como previsto na Lei de Execução Penal (LEP), que garante assistência religiosa a presos, Lula recebia visitas de religiosos todas as segundas-feiras. No entanto, tais encontros foram depois proibidos por Moro.
Já as visitas de advogados podiam acontecer todos os dias de 8h às 18h, com interrupção no horário de almoço às 12h. As visitas de familiares aconteciam às quintas-feiras mas, posteriormente, foram prejudicadas para que as visitas de amigos também fossem feitas nesse mesmo dia, já que Moro não permitiu que amigos visitassem o presidente em outro dia da semana.
"Em prejuízo ao horário da família, nós pedimos para que o dia do amigo pudesse ser na quarta, na terça, na segunda, na sexta, fora da quinta, porque era o dia da família. E ele deferiu e encavalou a visita do amigo na quinta. Então, a família ia na quinta, chegava lá às 8:30 da manhã, e ficava até às 2:30, 3 da tarde, que aí às 15:30 entrava o amigo", relata Rochinha.
Rochinha também acrescenta que não era permitido levar nenhuma comida para Lula a não ser nos finais de semana, o que também foi depois proibido por Moro ao impedir visitas ao presidente nesses dias. "Final de semana virou um período em que o presidente ficava numa solitária. O único contato que ele tinha era com os carcereiros que ficavam do lado de fora da porta dele", relembra o advogado.
Confira a entrevista completa de Luiz Carlos Rocha ao Fórum Onze e Meia