RECEITA FEDERAL

Motta, Castro e Ciro Nogueira estiveram em evento da Refit em NY; Tarcísio e Caiado desistiram

A presença de autoridades brasileiras no fórum da Refit ocorreu meses antes do escândalo do grupo, alvo de megaoperação da Receita Federal

Créditos: GloboNews/Reprodução
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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e governadores da extrema direita estiveram no evento do grupo Refit, alvo de uma megaoperação da Receita Federal (RFB) em Nova Iorque, nos EUA.

Alvo de críticas por não abrir a votação do projeto de lei (PL) que pune os devedores contumazes (aprovado no Senado Federal), Motta esteve presente no evento em 12 de maio, onde compareceu também o presidente da Refit, Ricardo Magro. A Refit já era conhecida como a maior sonegadora de impostos no Brasil naquela época.

Em NY, Motta defendeu que o Congresso é a “âncora de responsabilidade fiscal” do país e afirmou que o Brasil precisa criar condições para atrair investimento privado, citando juros menores e reformas estruturais. O discurso, voltado a mostrar compromisso com o ambiente econômico, ocorreu justamente em um fórum promovido por um grupo investigado por sonegação bilionária e que, meses depois, seria alvo de uma megaoperação da Receita Federal.

A fala de Motta durante o evento também contrasta com as críticas que o presidente da Câmara vinha recebendo por não pautar a votação do projeto de lei que endurece punições a devedores contumazes — legislação que afetaria diretamente empresas como a própria Refit.

Além dele, compareceu ao evento, chamado “Fórum Veja Brazil Insights Nova York” e realizado no hotel St. Regis,  também o governador Cláudio Castro (PL-RJ). Os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União-GO) foram convidados a ser duas das estrelas do evento, mas Tarcísio desistiu em cima da hora e Caiado negou 20 dias antes.

Na ocasião, Castro afirmava que a segurança pública deveria ser gerida pelo governo federal. A fala se deu cinco meses antes da operação que mais deixou mortos na história do país, a Operação Contenção, que resultou em 120 mortos no Rio de Janeiro. Desde então, Castro passou a defender publicamente que o governo estadual administrasse a segurança pública.

“Na lógica que foi colocada na Constituição de 1988, a segurança pública seria uma responsabilidade dos estados, mas isso está completamente desatualizado nos dias de hoje”, disse Castro. “Hoje o nosso principal desafio é o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro. E onde estão lavando esse dinheiro? Nos grandes bancos, pelo sistema financeiro nacional. E isso é de responsabilidade da da União, é federal. O crime organizado, hoje, está completamente misturado. Não tem como dizer que é responsabilidade do ente A, B ou C”, completou.

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