O motivo que levou Jair Bolsonaro (PL) à prisão preventiva - posteriormente transformada em cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses pela tentativa de golpe - ganha contornos tragicômicos a cada declaração para justificar o uso de um ferro de solda na tornozeleira eletrônica para possível fuga, como alegou a Polícia Federal (PF) no documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista à Globonews, o advogado Paulo Amador Cunha Bueno, que está na banca de defesa, alegou que Bolsonaro violou a tornozeleira para "simplesmente interagir com a tornozeleira" e que não tinha a intenção de fugir.
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"Você simplesmente interagir com a tornozeleira não significa, não equivale dizer que você pretendia fugir. A fuga seria uma estrutura complexa. Se ele pretendesse fugir, ele ia cortar a tornozeleira", justificou o advogado, que tenta contornar as sandices de Bolsonaro.
Cunha Bueno, então, voltou a alegar que o ex-presidente teve um "surto" por causa da nova medicação "prescrita três dias antes do episódio", embora o próprio Bolsonaro tenha dito que começou a mexer na tornozeleira na tarde de sexta-feira (21) até a emissão do alerta ao sistema de monitoramento, que aconteceu à 0h08 do sábado (22).
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"Você uniu uma medicação nova em cima de outras duas medicações psiquiátricas que já vinham sendo ministradas, um paciente idoso, portanto muito mais suscetível a interações medicamentosas. E acabou produzindo uma situação Provavelmente acabou atuando, enfim, passando o ferro de solda na tornozeleira", afirmou.
Em seguida, Cunha Bueno admite o fundamental: Bolsonaro violou a tornozeleira.
"A tornozeleira dele ficou descarregada por 36 horas, tempo que você dá uma volta e meia ao mundo. E não foi preso por conta disso. Desrespeitou o uso da tornozeleira? Desrespeitou".