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Cristiano Beraldo: quem é o comentarista da Jovem Pan agora investigado por esquema bilionário

Voz da linha-dura na Jovem Pan, comentarista que pedia “cadeia e cemitério” para criminosos e corruptos, é investigado por sonegação

Créditos: Reprodução/Youtube
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A operação deflagrada na quinta-feira (27) contra o grupo Refit, responsável pela antiga refinaria de Manguinhos, colocou o comentarista político Cristiano Beraldo, 47 anos, no centro das investigações sobre um esquema bilionário de sonegação de impostos no setor de combustíveis. O comentarista é apontado como gestor de offshores nos Estados Unidos ligadas ao empresário Ricardo Magro, dono da Refit. 

Nascido no Rio de Janeiro, Beraldo passou 23 anos no estado antes de migrar para Campinas e, depois, São Paulo. Carrega uma linhagem política de peso: é descendente do ex-presidente Delfim Moreira e do ex-presidente da Câmara e ministro do STF Bilac Pinto. Em entrevistas, afirma ter crescido cercado de figuras políticas que vão de Tancredo Neves a lideranças da antiga UDN.

Empresário há 18 anos, entrou na política pela campanha de Gustavo Bebianno à prefeitura do Rio. Após a morte repentina de Bebianno, aderiu ao grupo que apoiou Eduardo Paes em 2020. Com a vitória, assumiu a Secretaria de Turismo da cidade, mas deixou o cargo após seis meses, alegando discordância com a forma como o turismo era tratado.

A passagem pelo MBL e a atuação em São Paulo

Após sair do governo Paes, Beraldo se aproximou do Movimento Brasil Livre (MBL). Convidado por Renan Santos para atuar na campanha de Arthur do Val ao governo paulista, tornou-se pré-candidato pelo União Brasil e disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo em 2022, declarando patrimônio de R$ 1,85 milhão. Beraldo, no entanto, não foi eleito, obtendo apenas 43.460 votos (0,18%). 

Nesse período, consolidou-se como figura frequente no ecossistema liberal-bolsonarista, migrando para o comentário político e para vídeos de opinião.

Do comentário político ao discurso radicalizado

Na Jovem Pan, Beraldo consolidou um discurso marcado pelo punitivismo, por ataques constantes ao governo Lula e pela defesa irrestrita do armamento policial. Em suas intervenções, criticou as regras do Pix sob o argumento de que o governo “taxaria os pobres”, afirmou que os déficits das estatais demonstram que “o dinheiro do povo vai para o esgoto” e responsabilizou Carlos Lupi por fraudes no INSS, ignorando que o esquema vinha de gestões anteriores.

 

Também chamou a isenção do Imposto de Renda de “esmola para uma massa de analfabetos funcionais”, sustentou que seria necessário “eliminar criminosos” e defendeu que um país seguro deveria “priorizar vagas em cemitério”. Além disso, acusou o governo Lula de “romantizar o crime”, atacou Eduardo Paes — a quem chamou de “malandro” — e chegou a celebrar operações policiais de alta letalidade no Rio de Janeiro.

 

A ligação com a Refit e o papel nas offshores de Ricardo Magro

Beraldo é apontado por investigadores como gestor de offshores atribuídas a Ricardo Magro. Entre elas:

  • Cascais Bay LLC, administrada também por Alessandra Engel Magro, esposa de Magro;
  • Oceana KB Real Estate LLC, vinculada ao próprio empresário.

A megaoperação cumpriu 126 mandados de busca e apreensão em seis estados e no Distrito Federal, mirando 190 alvos ligados à Refit. A empresa é o maior devedor de ICMS de São Paulo e um dos maiores do país.

Após ser citado, Beraldo divulgou vídeo dizendo-se “surpreso” e anunciou afastamento de suas atividades de comentarista. A Jovem Pan não comentou o caso.

Ricardo Magro, que alterna residência entre Miami e Portugal, não foi localizado. As investigações, que correm sob sigilo, apontam um esquema complexo de empresas de fachada, estruturas offshore e movimentações financeiras irregulares para driblar tributos.

 

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