Para o jurista Lenio Streck, a Procuradoria-Geral da República (PGR) "errou" ao se manifestar a favor da prisão domiciliar do general da reserva Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo de Jair Bolsonaro (PL). Heleno foi condenado a 21 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A avaliação de Streck foi feita em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (28). O jurista citou o caso do ex-presidente Fernando Collor, que teve sua prisão decretada em abril deste ano, dois anos após ser condenado por corrupção. Ele chegou a ser levado para o Presídio Baldomero Cavalcanti, em Maceió, mas foi autorizado a cumprir prisão domiciliar em maio, por decisão do STF, após advogados apresentarem laudos de Mal de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar.
Te podría interesar
Para Streck, o STF, com a decisão favorável a Collor, resolveu um problema, mas criou muitos outros, ao abrir precedentes para que condenados com idade avançada e portadores de doenças possam pedir prisão domiciliar com base no caso do ex-presidente, como é a situação de general Heleno. O militar alegou sofrer de Alzheimer desde 2018 para pedir direito à prisão domiciliar.
No entanto, o jurista esclarece que a concessão da prisão domiciliar nos dois casos é "irregular e ilegal", já que está pevista somente em caso de regime aberto, de acordo com Streck. O jurista, então, defende que o caso Collor tem que ser revogado e corrigido por ter criado um problema sistêmico para a Justiça brasileira. "O general Heleno tem uma série de direitos, mas o único que ele não tem é cumprir a pena em casa. Se ele está doente, tem que ser tratado, mas não em casa", afirma Streck.
Te podría interesar
"A PGR está abrindo um caminho muito perigoso porque está quebrando a harmonia do sistema", defende o jurista.
Ele acrescenta que além de negar a prisão domiciliar para Heleno, a PGR deveria também chamar atenção para que o STF revise o caso Collor para manter a "coerência e integridade" do sistema de Justiça.
Confira a entrevista completa do jurista Lênio Streck ao Fórum Onze e Meia