O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso no julgamento da trama golpista e por tentativa de retirada da tornozeleira eletrônica, seguirá recebendo R$ 41 mil de aposentadoria da Câmara dos Deputados, por ter atuado como deputado federal por 27 anos.
O professor de graduação e pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Beçak, avalia que a manutenção das remunerações não constitui privilégio, mas um direito constitucionalmente assegurado. Ele explica que a condenação criminal impõe restrições expressamente previstas na sentença — sobretudo a privação de liberdade —, mas não extingue automaticamente direitos previdenciários adquiridos pelo tempo de serviço, nem outras garantias fundamentais.
Te podría interesar
“A pessoa presa não perde seus direitos enquanto ser humano”, afirma Beçak. “A Previdência é um direito social assegurado a qualquer trabalhador. Mesmo condenado por golpe de Estado, Bolsonaro mantém o direito à aposentadoria pelos anos efetivamente trabalhados”, explicou Beçak à Fórum.
Assim, o único direito já efetivamente cassado no caso de Bolsonaro é o pleno exercício da cidadania: ele está inelegível e não pode votar ou ser votado. “Fora isso, todas as demais prerrogativas permanecem íntegras, salvo se houver determinação expressa em contrário”, disse Beçak.
Te podría interesar
Bolsonaro atuou como deputado federal de 1991 a 2018, quando concorreu à presidência e se elegeu. Ele recebe aposentadoria da Câmara desde 2022, e foi condenado neste ano por liderar a trama golpista que arquitetou uma tentativa de golpe de Estado e assassinato de autoridades como o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro está preso desde o começo da semana na Superintendência da Polícia Federal (PF) no sentido do julgamento – contudo, foi preso preventivamente em detrimento de tentativa de retirada da tornozeleira eletrônica no sábado (22).
O advogado criminalista e especialista em direito militar, Marcelo Almeida, explicou à Fórum que, até que a União determine a suspensão dos valores, mesmo preso o ex-presidente continuará recebendo o benefício. Ainda ponderou que o posto de capitão, ao qual Bolsonaro ocupava no Exército, continua. Assim, ele continua recebendo pensão em torno de R$ 12,8 mil – um total de mais de R$ R$ 53 mil se considerado o valor que também recebe da Câmara.
A questão da queda de patente de Bolsonaro será avaliada pelo Superior Tribunal Militar (STM). Caso o STM suspenda as patentes dos militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na trama golpista, eles perdem o direito de cumprir suas penas em estabelecimentos prisionais militares, além de todos os benefícios e vínculos com o Exército, inclusive financeiros.