ENXOTADO

Derrite é “empurrado” à Câmara por Tarcísio, que se desesperou ao vê-lo “queimado”

Versão oficial é outra, mais amigável. Fórum havia adiantado que governador bolsonarista passou a querer distância do ex-secretário por sua posição anti-PF no combate ao crime

Créditos: Marcelo S. Camargo / FUSSP
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O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) afastou de vez o ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP-SP), devolvendo-o ao mandato de deputado federal. A decisão, anunciada na sexta-feira (28), veio com a nomeação do delegado Osvaldo Nico Gonçalves para o comando da pasta.

Derrite havia se licenciado do cargo em São Paulo apenas para reassumir a cadeira na Câmara e relatar o PL Antifacção (PL 5.582/2025). O que era para ser uma missão de prestígio virou um fiasco: o relator descaracterizou completamente o texto original do governo federal, enfraquecendo a Polícia Federal e criando brechas que o Planalto classificou como “PL Anti-investigação”. A PF emitiu nota de repúdio, e o governo Lula acusou o deputado de blindar facções como PCC e Comando Vermelho.

A gestão Derrite na SSP-SP já acumulava desgaste: alta de 46% nas mortes por policiais em 2024, críticas por letalidade excessiva e resistência às câmeras corporais. Sua atuação no PL reforçou a imagem de que ele dificultava investigações federais contra o crime organizado, queimando-o nacionalmente.

Fórum antecipou, em 17 de novembro, Tarcísio decidiu se afastar do ex-secretário antes que o desgaste contaminasse ainda mais sua própria imagem no combate à criminalidade. A solução foi simples: empurrá-lo de volta ao Congresso.

Oficialmente, o governo paulista diz que Derrite “vai seguir com seus compromissos na Câmara, como parlamentar”. Na prática, é o fim da linha para o ex-capitão da Rota no Palácio dos Bandeirantes. Com a nomeação de Nico Gonçalves, delegado de carreira e ex-secretário-executivo da pasta, Tarcísio tenta virar a página e minimizar os estragos políticos de um aliado que se tornou tóxico.

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