ELE NÃO PARA

Em pleno domingo, Alcolumbre emite nota para atacar Lula ainda mais

Presidente do Senado se diz ofendido por insinuações de que ele quer algo em troca para melhorar o trato com o Planalto. Veja a nova cartada do cacique do centrão

Créditos: Jefferson Rudy/Agência Senado
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Numa escalada rara e bastante incomum para um domingo, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aproveitou o fim de semana para disparar uma nova rajada verborrágica contra o governo Lula. Em nota oficial distribuída à imprensa nesta tarde (30), o parlamentar amapaense disse sentir-se “ofendido” com o que classificou de tentativa do Palácio do Planalto de pintar um retrato distorcido das relações entre os Poderes.

No centro da irritação está a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. Alcolumbre reclama que, mesmo após a escolha ter sido publicada no Diário Oficial da União, a mensagem formal com o nome de Messias ainda não chegou ao Senado, o que, segundo ele, seria uma manobra para pressionar o cronograma da Casa.

“É nítida a tentativa de setores do Executivo de criar a falsa impressão, perante a sociedade, de que divergências entre os Poderes são resolvidas por ajuste de interesse fisiológico, com cargos e emendas. Isso é ofensivo não apenas ao Presidente do Congresso Nacional, mas a todo o Poder Legislativo”, escreveu Alcolumbre, num tom que ultrapassa o cinismo, já que suas ações em defesa de seus interesses são explícitas e frequentes em sua trajetória na política. Na última semana, ele chegou a exigir ainda mais cargos na máquina federal, pleiteando até as presidências do Banco do Brasil, do Banco do Nordeste (BNB), do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Em sua nota, o senador ainda prosseguiu: “Feita a escolha pelo Presidente da República e publicada no Diário Oficial da União, causa perplexidade ao Senado que a mensagem escrita ainda não tenha sido enviada, o que parece buscar interferir indevidamente no cronograma estabelecido pela Casa, prerrogativa exclusiva do Senado Federal”.

Alcolumbre também fez questão de frisar que, na sua visão, o prazo marcado para a sabatina de Messias na CCJ – 10 de dezembro – “guarda coerência com a quase totalidade das indicações anteriores e permite que a definição ocorra ainda em 2025, evitando a protelação que, em outros momentos, foi tão criticada”.

Nos corredores do Congresso, porém, ninguém esconde que a rapidez incomum entre a indicação e a data da sabatina é vista como retaliação direta de Alcolumbre. Parlamentares da base governista sempre reafirmam a já conhecida história de que o presidente do Senado queria emplacar outro nome. No caso, o preferido, por resguardar seus interesses, era o colega de Casa Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ele ficou profundamente irritado quando Lula bateu o martelo por Jorge Messias, “sem consultá-lo”, já que se julga “o dono” da agenda do Senado.

Nos bastidores, a avaliação é que Messias terá dificuldade para alcançar os 41 votos necessários no plenário, exatamente porque o tempo curto para articulação política favorece quem controla a pauta, no caso, o próprio Alcolumbre.

A nota dominical, portanto, surge como mais um capítulo da guerra declarada pelo cacique do centrão ao Planalto. De um lado, Lula reafirma a prerrogativa constitucional de indicar livremente ministros do STF. Do outro, Alcolumbre reage com o discurso da “independência dos Poderes” exatamente quando se vê impedido de transformar a cadeira no Supremo num balcão de negociações pessoais.

Até o fechamento desta reportagem, o governo não havia se manifestado sobre a nova investida do presidente do Senado. O silêncio, por enquanto, fala mais alto que qualquer nota oficial.

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