JOGO DUPLO

Motta antecipa 2026 e escolhe Derrite, secretário de Tarcísio, como relator de projeto antifacção

Indicação de pré-candidato ao Senado gera reação da base governista, que vê provocação e tentativa de esvaziar a proposta de Lula

Créditos: Rogério Cassimiro/Governo de São Paulo
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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta sexta-feira (7) o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto de lei antifacção. Até quarta-feira (5), o parlamentar ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo, na gestão de Tarcísio de Freitas, e reassumiu o mandato apenas para relatar o texto.

 A proposta foi apresentada pelo governo Lula após a operação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro e cria a figura da “organização criminosa qualificada”, com penas de 8 a 15 anos de prisão para quem exercer controle territorial ou econômico mediante violência ou intimidação. Em casos de homicídio praticado em nome da facção, a pena pode chegar a 30 anos.

O projeto prevê o aumento de penas em função de agravantes, como o envolvimento de menores, uso de armas de fogo de uso restrito, infiltração de agentes públicos e ligações com organizações transnacionais. Também autoriza o acesso a dados de geolocalização e transações financeiras de investigados e propõe a criação de um Banco Nacional de Facções Criminosas.

Reação da bancada governista

A decisão de Motta dá ao campo da direita/extrema direita o tema em que ela aposta suas fichas para as eleições de 2026: a segurança pública. Derrite é pré-candidato ao Senado em São Paulo e já anunciou mudanças consideradas por ele como “essenciais” para fortalecer o combate ao crime organizado.

Depois do anúncio, parlamentares da base do governo reagiram. "A escolha feita pelo presidente Hugo Motta é um desrespeito com o presidente Lula. O projeto de lei antifacção é uma prioridade do governo Lula e colocar nas mãos do secretário de segurança do governador Tarcísio beira uma provocação. Parece um interesse deliberado de não aprovar e de atrapalhar a tramitação da pauta prioritária do governo na área de segurança pública", disse, em seu perfil no X (ex-Twitter), o líder da bancada do PT na Câmara, Lindbergh farias (RJ).

"A escolha de um deputado que está afastado do mandato desde 2023 para relatar o projeto anti-facção, por si só, é um ato de desrespeito ao Parlamento e a todos que estão na Câmara e na segurança pública nesse período", pontua o deputado Alencar Santa (PT-SP). "Ademais, a escolha de Derrite, que é um secretário fracassado do governo incompetente do Tarcísio do Bolsonaro, é um acinte à população de São Paulo e do Brasil."

Parlamentares da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) também se manifestaram sobre o tema. "Hugo Motta entrega o PL antifacção de Lula para Derrite, o secretário de segurança que entregou São Paulo de vez pro PCC, relatar. Que piada", apontou o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL).

Com informações da Agência Brasil

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