AVALIAÇÃO PSIQUIÁTRICA

Adélio Bispo passa por novo exame psiquiátrico e pode ser solto

Laudo elaborado por um perito oficial deverá indicar se ele reúne condições clínicas e psicológicas para deixar a unidade

Adélio Bispo.Créditos: Reprodução/YouTube
Escrito en POLÍTICA el

O detento Adélio Bispo, autor da facada no então candidato Jair Bolsonaro (PL) durante um ato de campanha em 2018, foi submetido nos últimos dias a uma nova avaliação psiquiátrica no Presídio Federal de Campo Grande (MS). O laudo, elaborado por um perito oficial, deverá indicar se ele reúne condições clínicas e psicológicas para deixar a unidade — possibilidade considerada remota por servidores do sistema penitenciário.

Adélio está preso desde o atentado, mas não cumpre pena: ele foi considerado inimputável pela Justiça devido a transtornos mentais. Por isso, permanece sob medida de segurança, sem condenação criminal formal.

Laudo sem prazo para conclusão

Segundo apuração do Metrópoles, o novo laudo não tem data prevista para ser encerrado. O processo enfrenta entraves porque os documentos originais que embasaram a declaração de inimputabilidade, produzidos por especialistas em 2018 e 2019, não estão disponíveis para consulta. Eles não foram digitalizados para evitar riscos de vazamento.

Com isso, os peritos utilizam como base apenas trechos do laudo que constam na sentença proferida em maio de 2019.

Perguntas centrais da perícia

A nova avaliação deverá responder a três pontos principais, considerados essenciais para determinar a eventual cessação da medida de segurança:

  • Se Adélio ainda apresenta transtorno mental que justifique sua permanência sob custódia, e qual seria esse diagnóstico.
  • Se ele representa risco para si ou para terceiros, com parecer técnico sobre a manutenção ou não de sua periculosidade.
  • Em caso de permanência da medida, qual o prazo adequado para uma nova reavaliação.

Deterioração mental e isolamento

Embora seu quadro médico seja descrito como estável, agentes penitenciários afirmam que a saúde mental de Adélio se deteriorou ao longo dos anos de confinamento. De acordo com servidores, ele vive completamente isolado da realidade externa, sem conhecimento de acontecimentos recentes — entre eles, a condenação de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro.

O detento ocupa uma cela de cerca de seis metros quadrados, não lê livros e mantém pouca ou nenhuma interação com outros presos. Relatos internos apontam que a unidade de Campo Grande, embora considerada a mais preparada da federação para casos psiquiátricos, ainda assim não possui estrutura integralmente adequada para o tratamento de transtornos mentais graves.

Saída é vista como improvável

A avaliação predominante entre os agentes federais é que a chance de liberação de Adélio é mínima. A percepção é de que juízes responsáveis pelo caso devem priorizar a manutenção da ordem pública, sobretudo pela natureza do atentado e pela condição mental do autor.

Apesar de especulações políticas e teorias levantadas por aliados de Bolsonaro ao longo dos anos, duas investigações distintas da Polícia Federal concluíram que Adélio agiu sozinho.

Permanência prevista até 2038

Por determinação judicial, Adélio Bispo permanecerá no sistema prisional federal, ao menos, até 2038 — quando completará 60 anos. A partir dessa idade, sua saída passa a ser prevista legalmente, já que ele não responde a nenhum processo penal devido à inimputabilidade.

Mesmo considerado um detento de alta periculosidade, não há previsão de transferência para outra unidade federal. O presídio de Campo Grande é avaliado como o mais apto a abrigar internos com transtornos mentais severos, ainda que sem a estrutura ideal.

A conclusão do laudo psiquiátrico deve orientar os próximos passos do Judiciário, mas não há perspectiva de mudança imediata na situação de Adélio.

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