POR QUE SERÁ?

Após ligação com deputado do PL surgir, Vorcaro quer que ação vá para o STF

Defesa do banqueiro acusado de megafraude faz malabarismo para empurrar investigação para o Supremo, num movimento que levanta suspeitas de uma ação política

Créditos: Banco Master/Reprodução
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Durante buscas da Operação Compliance Zero, deflagrada no dia 18 de novembro, a Polícia Federal encontrou, em um dos endereços vinculados ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, um envelope que trazia o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). Dentro dele havia documentos referentes a uma possível transação imobiliária. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Como a análise ainda é muito preliminar, os investigadores não identificaram algum indício de irregularidade no material apreendido relacionado a esse negócio. O próprio Bacelar afirmou que apenas participou da estruturação de um fundo imobiliário para um empreendimento em Trancoso, distrito de Porto Seguro (BA), e que Daniel Vorcaro demonstrou interesse em adquirir uma fração do projeto. Por isso, o deputado encaminhou a Vorcaro a documentação necessária para a eventual compra, que acabou não se concretizando.

“Foi apenas uma consulta sobre um imóvel em Porto Seguro que não foi adiante. Quando o banco começou a enfrentar dificuldades, ele pediu mais prazo para exercer a opção de compra e foi feito um documento nesse sentido”, declarou o parlamentar ao Estadão.

Ainda assim, diante disso, a defesa de Daniel Vorcaro aproveitou exatamente a existência desse envelope para, na sexta-feira (28), protocolar uma reclamação no Supremo Tribunal Federal pedindo que toda a investigação do Banco Master seja imediatamente remetida ao STF. No pedido, os advogados comparam o caso à Operação Overclean, também conduzida pela PF baiana, que foi deslocada para o Supremo após o aparecimento de documentos de uma negociação imobiliária envolvendo um deputado.

A reclamação caiu, por distribuição eletrônica, com o ministro Dias Toffoli. A estratégia era exatamente essa: retirar o processo da Justiça Federal de primeira instância, responsável pela decretação da prisão preventiva de Vorcaro e de outros quatro investigados. Curiosamente, no mesmo dia em que a peça foi apresentada ao STF, a desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), voltou atrás em decisão anterior e determinou a revogação das prisões preventivas. Vorcaro e os demais deixaram o presídio no sábado (29).

Como a análise do material apreendido na Operação Compliance Zero ainda está em andamento e não foi constatada nenhuma irregularidade envolvendo o deputado ou o negócio imobiliário mencionado, a Polícia Federal entende, até agora, que não há elementos que justifiquem o envio dos autos ao STF ou a qualquer outra corte superior. Ou seja, a movimentação jurídica de Vorcaro sugere que o banqueiro estaria desejando uma remoção da ação para o Supremo para, de alguma forma, e ainda não se sabe qual, almejar algum tipo de proteção política.

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