SISTEMA FINANCEIRO

Banco Master: PF investiga desvio de R$ 500 milhões em fundões de pensão de servidores

Inquérito sobre banco de Daniel Vorcaro apura prejuízo a fundos de servidores desde 2020. Decisão de desembargadora amiga da família Bolsonaro travou denúncia.

Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira em evento do grupo Esfera.Créditos: Reprodução / Youtube
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O Banco Master, seus gestores e parceiros de negócios são alvo de uma investigação que apura o desvio de cerca de R$ 500 milhões de fundos de pensão de servidores públicos. A apuração, em curso desde 2020, foi revelada em coluna da jornalista Natália Portinari no UOL, com base em documentos de órgãos de controle e da Polícia Federal.

De acordo com a coluna, o inquérito mira operações em que fundos de pensão de servidores aplicaram recursos em produtos financeiros ligados ao Master e a empresas parceiras, com suspeita de prejuízos milionários sobre reservas que deveriam garantir aposentadorias e pensões desse público. Os detalhes das aplicações seguem sob sigilo, mas o montante estimado de R$ 500 milhões coloca o caso entre os maiores envolvendo regimes próprios de previdência nos últimos anos.

Relatórios da investigação citam o controlador do banco, o banqueiro Daniel Vorcaro. Em 2021, porém, uma decisão da desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), acolheu argumentos da defesa e impediu que ele fosse denunciado criminalmente nesse inquérito específico. Maria do Carmo é apontada em reportagens como amiga da família Bolsonaro, especialmente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e teve papel destacado na articulação que levou Kassio Nunes Marques ao Supremo Tribunal Federal.

As revelações sobre o desvio de recursos de fundos de pensão se somam ao cerco já em curso contra o banco e seu dono. A  Fórum mostrou que o Master é alvo da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias em operações com o Banco de Brasília (BRB) e levou à prisão de Vorcaro (leia aqui). Após a operação, o Banco Central passou a fazer um pente-fino nos ativos da instituição (saiba mais), e outra reportagem da Fórum detalhou o risco de calote para quem investiu em títulos estruturados ligados ao grupo (entenda).

 

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