A desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), foi responsável por uma decisão que impediu a apresentação de denúncia criminal contra o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em um inquérito que apura o desvio de cerca de R$ 500 milhões de fundos de pensão de servidores públicos.
EXCLUSIVO: Ex-ministro de Bolsonaro virou diretor de braço do Master e atuou em crédito consignado
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A investigação, em curso desde 2020, foi revelada em coluna da jornalista Natália Portinari no UOL, com base em documentos de órgãos de controle e da Polícia Federal.
Na decisão de 2021, Maria do Carmo acolheu argumentos da defesa de Vorcaro e travou, naquele momento, a possibilidade de o banqueiro ser denunciado nesse inquérito específico, embora a apuração sobre as operações do banco e de empresas parceiras continue em andamento. O caso envolve a aplicação de recursos de fundos de pensão de servidores em produtos financeiros ligados ao Master, com suspeita de prejuízo milionário sobre reservas que garantem aposentadorias e pensões.
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Fora do processo, a desembargadora aparece com forte inserção política em Brasília. Reportagem da CNN Brasil a descreve como amiga da família Bolsonaro, especialmente próxima do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e aponta que ela teve papel considerado “essencial” na aproximação entre o desembargador Kassio Nunes Marques e o então presidente Jair Bolsonaro, ajudando a viabilizar a indicação de Nunes para o Supremo Tribunal Federal (STF)
Segundo a mesma reportagem, a proximidade com o clã Bolsonaro rendeu a indicação da filha da desembargadora, a advogada Lenise Prado, para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em 2019, por Jair Bolsonaro. Maria do Carmo e Kassio Nunes são colegas desde o TRF-1 e mantêm relação de amizade há pelo menos uma década.
As conexões políticas de Maria do Carmo ganham relevo no contexto do cerco ao Banco Master e ao grupo de Vorcaro. A Fórum já mostrou que o banco é alvo da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes bilionárias em operações com o Banco de Brasília (BRB) e levou à prisão do banqueiro (leia aqui). Em outras reportagens, a Fórum detalhou o pente-fino do Banco Central nos ativos da instituição e o risco de calote para investidores que compraram títulos estruturados ligados ao grupo (saiba mais).