O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), usou fogos de artifício com estampidos para lacrar em vídeos nas redes sociais em uma "comemoração" de sua vitória em um processo judicial contra o Partido dos Trabalhadores (PT). Contudo, as leis de Belo Horizonte proíbem a queima de fogos de artifício com barulhos.
No vídeo, Zema adota um tom de deboche: depois de ser alertado sobre o crime ele deu uma justificativa surreal, dizendo que os sons dos estampidos dos rojões foram adicionados ao vídeo em edição feita por Inteligência Artificial.
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“Eu não sei vocês, mas eu pelo menos fico muito triste com uma notícia dessas”, afirmou Zema no vídeo, em tom irônico. “Tem que comemorar, o PT tentou me censurar na justiça por eu falar da participação deles no maior escândalo do roubo de velhinhos do INSS já feito no Brasil”, continuou. “A justiça julgou improcedente essa tentativa de censura do PT contra minha declaração, a verdade prevaleceu. Se o PT tá triste, o Brasil tá feliz”, completou.
Por conta da Lei 11.400/2022, norma municipal sancionada pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD-MG) e que proíbe fogos com estampido na capital mineira para proteger animais, idosos, pessoas com transtorno do espectro autista e outros grupos sensíveis ao ruído, Zema fez um comentário adicional ao vídeo, destacando que adicionou o ruído da explosão dos fogos de artifício por meio de IA.
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“Aviso importante: respeitando a Lei 11.400/2022, o ruído dos fogos de artifício foi adicionado em edição”, escreveu Zema.
O episódio extrapola uma simples “comemoração” em redes sociais: insere-se em uma disputa nacional por narrativa, e retoma estratégias bolsonaristas de mobilização digital. A publicação de Zema ocorre em um momento de crescente radicalização digital entre figuras da direita, que têm utilizado episódios isolados para alimentar narrativas de perseguição e reforçar identidades políticas de antagonismo ao PT e ao governo federal.
A atitude reforça o movimento de Zema para se consolidar nacionalmente como herdeiro político do bolsonarismo “moderado”, tentando ocupar o vácuo deixado pelo enfraquecimento eleitoral do Novo e pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ocorrida na semana passada.