O ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, responsável pelo processo que levou ao golpe do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, e é o mentor dos dois últimos presidentes da Câmara, deputados Arthur Lira e Hugo Motta, foi à rede X no dia de hoje para uma provocação típica de sua personalidade: lembrou ao público que num dois de dezembro como hoje, há 10 anos, ele iniciava o processo de impeachment de Dilma, como se fosse algo a se comemorar.
Internautas reagiram na hora:
Cunha no Roda Viva. O golpista antes do golpe
O mesmo Eduardo Cunha que hoje se vangloria do pontapé inicial do golpe, pouco tempo antes negava que ele fosse necessário em entrevista ao programa Roda Viva, de março.
Esta é a transcrição do que Eduardo Cunha falou sobre o caso no programa, quando confirmou que nada havia contra a presidenta para impichá-la:
"Eu não posso querer dar curso para resolver uma crise política, achar que a vai virar uma republiqueta e vai arrancar o presidente fora que foi legitimamente eleito. Nós não concordamos com essa forma. Eu acho que é preciso ter um pouco de responsabilidade. Se houvesse motivação dentro do parâmetro constitucional seria outra coisa. Eu não tenho a visão disso nesse momento. A presidente da República, ela não praticou, no exercício do mandato atual que ela está, qualquer ato de improbidade administrativa. Se eu possa caracterizar, é uma denúncia por improbidade ou denúncia de fatos que são atribuídos ao exercício do seu mandato. E eu acho que nós temos, além do problema jurídico, temos o problema político. Se eu não tenho uma justificativa, porque nós sempre temos na memória o que aconteceu no processo impeachment do ex-presidente Collor. São duas circunstâncias absolutamente diferentes. Naquele momento, ele estava no exercício do seu mandato, havia denúncia, houve uma CPI sobre atos praticados no exercício do mandato, houve ali uma culpabilidade atribuída pela CPI no seu relatório com relação ao exercício do mandato e uma denúncia do PGR com relação a fatos no exercício do mandato. E aí gerou o pedido do impedimento. Agora não existe isso. O Brasil não pode fazer como o Paraguai fez, que arrancou o [presidente] Lugo lá do dia pra noite, porque ele tinha perdido completamente o apoio. Eu acho que as circunstâncias políticas que você pode fazer, em qualquer governo que tem perda de popularidade, alguma coisa tem que ser feita, e acredito que ela o fará. Agora não que isso seja ensejador de impeachment, porque vai ser um impeachment atrás do outro na nossa história se isso acontecer."