BOLSONARISMO

Joias de Bolsonaro: CGU demite ex-chefe da Receita ligado ao caso

A Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que ex-chefe da Receita Federal tentou interferir ilegalmente para liberar as jóias sauditas destinadas a Bolsonaro

Jair Bolsonaro e Julio Cesar Vieira Gomes, ex Receita Federal.Créditos: Agência Brasil
Escrito en POLÍTICA el

Responsável pela tentativa de liberação das joias sauditas no aeroporto de Guarulhos no fim do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-chefe da Receita Federal, Julio Cesar Vieira Gomes, teve seu desligamento publicado no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (1º).

A decisão encerra um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apurou irregularidades cometidas pelo então servidor, que já havia sido indiciado pela Polícia Federal (PF) por peculato, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa. Além da demissão, Gomes está proibido de assumir qualquer cargo público federal pelos próximos cinco anos.

A penalidade atinge um dos nomes mais diretamente envolvidos no núcleo burocrático da operação de tentativa de resgatar, driblar e vender joias de alto valor recebidas como presentes oficiais durante o mandato de Bolsonaro — itens que, por lei, pertencem ao patrimônio da União.

Gomes havia pedido demissão da carreira de auditor fiscal em 2023. O desligamento chegou a ser publicado, mas foi revogado devido à investigação disciplinar já instaurada pela Controladoria-Geral da União (CGU), que impedia sua saída enquanto irregularidades eram apuradas. Agora, com a conclusão do PAD, a demissão é definitiva — e implica em bloqueio temporário ao retorno ao serviço público.

O inquérito da PF que apura o caso das joias já indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 11 pessoas. A polícia concluiu que houve peculato, associação criminosa, lavagem de dinheiro, e advocacia administrativa.

As conversas entre Gomes e Cid reforçam a tese de que havia uma tentativa orquestrada dentro da estrutura do Estado — envolvendo militares, assessores próximos e servidores de alto escalão — de retirar bens apreendidos, reintroduzi-los na esfera privada e, em alguns casos, revendê-los para gerar dinheiro vivo a Bolsonaro.

Mensagens com Mauro Cid expõem tentativa de liberação das joias

As mensagens interceptadas pela PF entre Gomes e o tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro, foram cruciais para a demissão. Elas mostram o empenho do então chefe da Receita em recuperar ilegalmente o conjunto de jóias sauditas apreendido pela Receita Federal, avaliado em milhões de reais.

Em dezembro de 2022, Gomes perguntou a Cid: “Avisou o presidente que vamos recuperar os bens?”. Cid confirmou: “Avisei!”

Em fevereiro de 2023, já sob o governo Lula — e antes de a apreensão se tornar pública — Gomes voltou a buscar uma forma de reaver as peças retidas: “Vai precisar da procuração do Bento Albuquerque. É viável?”, questionou. Cid respondeu: “Acho que sim”.

O então ministro de Minas e Energia (MME), almirante Bento Albuquerque, foi indiciado por ter recebido em nome de Bolsonaro um dos kits de joias desviados. A PF aponta que o esquema envolveu circulação de peças no exterior, venda ilegal e “cash” entregue diretamente ao ex-presidente.

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