O senador Cleitinho (Republicanos-MG) voltou a usar as redes para atacar o governo federal por causa da nova projeção do salário mínimo para 2026. A forma como fez, porém, ignora dados básicos da política de valorização do piso nacional e transforma uma diferença de R$ 4 — entre a estimativa inicial e a atual — em um falso escândalo.
No vídeo, Cleitinho afirma estar “revoltado” porque o reajuste previsto cairia de R$ 1.631 para R$ 1.627. Em seguida, teatraliza a conta: “trabalhador vai receber 100, 105, 107, 109 reais de aumento”. O senador, entretanto, omite que esse valor já representa um aumento real acima da inflação, resultado direto da política de valorização retomada em 2023 — política que Bolsonaro extinguiu e que congelou o salário mínimo por anos.
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Embora em um outro trecho do vídeo o próprio senador admita que nenhum presidente daria um aumento acima da inflação, ele tenta transformar a diferença mínima de R$ 4 em sinal de descaso do governo.
Enquanto isso, a revisão da projeção do mínimo decorre de um fator objetivo: a queda da inflação. Com o INPC menor do que o previsto, o reajuste tende também a ser um pouco menor. Isso não retira nenhum direito dos trabalhadores e apenas ajusta o cálculo exigido por lei.
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Demagogia
No vídeo, Cleitinho tenta ainda comparar o reajuste do salário mínimo com os chamados supersalários do serviço público. Ao distorcer o debate, o senador sugere que Lula teria responsabilidade sobre o aumento de remunerações no TCU, quando esses valores foram definidos pelo próprio Legislativo, do qual ele faz parte.
Ao misturar assuntos e insinuar “patifaria”, o senador cria um contraste artificial: de um lado, um aumento real para 28 milhões de aposentados; de outro, benefícios de carreiras específicas que nada têm a ver com a política de valorização do mínimo.
No fim, o senador promete “acabar com supersalários”, embora o Congresso tenha histórico de engavetar qualquer proposta que toque em privilégios. O que fa o ataque ao reajuste do mínimo soar mais como demagogia eleitoral do que como defesa do trabalhador.