DUELO FAMILIAR

Os 2 trunfos de Michelle Bolsonaro que estão demolindo Flávio, Carlos e Eduardo

Ex-primeira-dama, a menos que permita ou cumpra ordens do marido, não perderá batalha alguma para os enteados. E eles sabem disso, por isso estão desesperados. Entenda

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.Créditos: Frame de vídeo das redes sociais/Reprodução
Escrito en POLÍTICA el

No bolsonarismo órfão de Jair Bolsonaro, preso para cumprir pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, a sucessão de poder não segue a linhagem sanguínea que muitos previam. Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, outrora vistos como herdeiros naturais, veem-se progressivamente encurralados pela ascensão de Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama consolida uma hegemonia que parece cada vez mais difícil de ser contestada internamente.

A crise mais recente explodiu no último domingo (30), quando Michelle implodiu uma aliança de aproximação do núcleo bolsonarista com o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A ex-primeira-dama atacou publicamente o acordo, praticamente o encerrando, e considerando o cenário inaceitável. Os três filhos reagiram com força, tentando desautorizá-la e “queimá-la” perante a base, mas o movimento não surtiu o efeito desejado. Nas entrelinhas do campo bolsonarista, Michelle segue firme, e os enteados aparecem isolados e nervosos.

Dois trunfos estruturais explicam por que ela vem prevalecendo – e por que os filhos sabem que, no atual tabuleiro, dificilmente conseguirão vencê-la.

Trunfo 1: O domínio das redes sociais com interações predominantemente positivas

Embora os números absolutos de seguidores de Michelle sejam pouca coisa superior aos dos enteados, a natureza do engajamento é radicalmente diferente. Seus perfis concentram interações majoritariamente positivas entre o público ultrarreacionário típico do bolsonarismo: apoio maciço, comentários de admiração e compartilhamentos entusiásticos. Já os perfis de Flávio, Carlos e Eduardo, mesmo mantendo bom volume de engajamento, vivem divididos entre elogios da militância mais fiel e uma enxurrada constante de críticas, muitas vezes internas, do próprio campo conservador. Essa polarização enfraquece a autoridade deles e reforça a percepção de que Michelle é a figura mais “segura” e “menos tóxica” para representar o movimento nas redes, ambiente que continua sendo o principal palco de disputa no bolsonarismo.

Trunfo 2: O monopólio do capital evangélico

Michelle consolidou-se como a principal referência evangélica do bolsonarismo. Ela abraça abertamente a identidade “crente”, neopentecostal e fundamentalista, e é vista por esse segmento, hoje o pilar demográfico mais sólido e organizado do movimento, como a sua representante legítima. Pastores, líderes de denominações e fiéis comuns a tratam como a “matriarca da fé” que o ex-presidente escolheu. Nenhum dos três filhos consegue disputar esse terreno com ela. No bolsonarismo, abrir guerra contra quem tem o apoio maciço dos evangélicos é suicídio político. Michelle detém esse apoio quase por completo, e os filhos sabem que qualquer confronto aberto custaria caro demais.

Desfecho previsível

Com Jair Bolsonaro preso e com influência limitada ao que consegue transmitir por intermédio de advogados e recados esparsos, Michelle não depende mais apenas do sobrenome: construiu bases próprias de poder que os enteados não têm como neutralizar no momento. A menos que ela própria decida ceder espaço ou que uma ordem clara do ex-presidente reverta o quadro, Flávio, Carlos e Eduardo seguirão na defensiva. O desespero deles é visível exatamente porque percebem que, no bolsonarismo atual, quem controla as redes com carinho da base e quem fala em nome dos evangélicos é quem manda. E, por enquanto, essa pessoa é Michelle Bolsonaro.

Reporte Error
Comunicar erro Encontrou um erro na matéria? Ajude-nos a melhorar