O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União Brasil), preso na manhã desta quarta-feira (3) pela Polícia Federal pela acusação de ter ajudado diretamente o ex-deputado estadual TH Joias, um operador do Comando Vermelho, a fugir de uma operação policial em setembro, não só é um aliado próximo de Jair Bolsonaro (PL) como também recebeu uma esdrúxula e icônica comenda outorgada pelo ex-presidente criminoso que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado: a medalha dos três “is” [imorrível, imbrochável e incomível].
Bacellar, que inclusive foi anunciado em maio deste ano pelo próprio Bolsonaro como o seu nome para o cargo de governador do Rio na eleição de 2026, recebeu a “homenagem” ridícula, destinada apenas aos homens mais próximos e fieis ao líder extremista, em junho de 2024, numa visita oficial do deputado estadual à sede nacional do PL, em Brasília. O clima, segundo participantes do encontro, era de “descontração total”, com “muitas gargalhadas” de lado a lado.
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Prisão pela PF
Reeleito deputado estadual pelo PL em 2022, com apoio do clã Bolsonaro, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (3) por vazar informações sobre a Operação Zargun, deflagrada em setembro, em que o então deputado estadual TH Joias foi preso.
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TH Joias é a alcunha de Thiego Raimundo dos Santos Silva, que foi preso e indiciado, entre outros, por intermediar a venda de armas para o Comando Vermelho.
A PF cumpriu um mandado de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão, além de um mandado de intimação para cumprimento de medidas cautelares diversas da prisão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Um mandado de busca foi cumprido no gabinete de Bacellar, na Alerj.
Segundo a PF, na "ação se insere no contexto da decisão do Supremo Tribunal Federal no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos".
A suspeita sobre o vazamento da operação se deu porque TH Joias chegou a sair de casa, deixando tudo revirado, quando os agentes chegaram e só foi encontrado horas depois na casa de um amigo.
"O parlamentar havia saído do condomínio por volta das 21h40 [de terça, 2, véspera da operação], deixando a casa completamente desarrumada, o que pode sugerir uma fuga e o desfazimento de vestígios de fatos criminosos”, disse o procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira.