LAVA JATO

Sergio Moro protegeu juiz da Vara da Lava Jato: Tony Garcia explica origem da denúncia ao STF

À Fórum, ex-deputado conta bastidores do processo que resultou na operação da PF na 13ª Vara Federal de Curitiba

Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato e atual senador.Créditos: Pedro França/Agência Senado
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Ao Fórum Onze e Meia, o ex-deputado estadual Tony Garcia explicou a origem da sua denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) que resultou na operação da Polícia Federal (PF) desta quarta-feira (3) na 13ª Vara Federal de Curitiba, local que concentrou os processos da Lava Jato sob o comando de Sergio Moro. 

A operação é resultado da denúncia de Garcia contra Moro, em que acusava o ex-juiz e hoje senador de ter o coagido a grampear autoridades públicas. O ex-deputado conta que todo o processo começou em 1996, quando Moro o colocou em uma ação para proteger o juiz  Danilo Pereira Júnior, que foi funcionário do Consórcio Garibaldi e desviou o dinheiro de uma cota para sua esposa, que posteriormente foi indiciada pelo Banco Central. 

Nessa época, Moro não estava na ação, mas conseguiu entrar para proteger ou chantagear Danilo, de acordo com Garcia, para que o juiz levasse duas pessoas que trabalharam com ele no consórcio para falar que Tony era dono da empresa. A partir daí, Moro mandou prender Garcia com base em uma falsa delação, que tinha o objetivo de encobrir a esposa de Danilo e que depois foi derrubada na Justiça pelo ex-deputado. "Eu não fiz delação, eu fiz uma colaboração que envolveu nem eu admitir culpa de nada, nem o consórcio Garibaldi", afirma Garcia. 

O ex-deputado acrescenta que a partir desse momento foi quando Moro começou a exigir que Garcia grampeasse autoridades como governadores, presidente do Tribunal de Contas da União, ministro do Superior Tribunal de Justiça e desembargadores. 

Esse processo aconteceu até 2021, quando Garcia denunciou o caso para a juíza Gabriela Hardt que, ao invés de investigar Moro, fez o contrário e começou uma ofensiva contra o ex-deputado, pedindo que fosse quebrado um acordo de mais de 20 anos feito entre Garcia e Justiça. De acordo com o ex-deputado, por sorte o juiz Eduardo Appio assumiu a 13ª Vara Federal de Curitiba e, ao ver que os processos envolviam pessoas com prerrogativas de foro, remeteu a ação ao STF. No entanto, Hardt, Moro e outros envolvidos sempre se negaram a enviar documentos solicitados pelo Supremo, de acordo com Garcia. 

Para Garcia, a operação desta quarta-feira (3)  vai expor informações sobre as perseguições contra o ex-ministro Zé Dirceu, a ex-presidenta Dilma Rousseff e o presidente Lula (PT). 

"O que vai vir [da investigação do STF] vai esclarecer muito bem, pro Brasil inteiro, o que foi a Lava Jato. Vai estar muito bem colocado que eu fui, dez anos antes da Lava Jato, um laboratório para eles fazerem todas as irregularidades e todos os crimes que eles cometeram. Vai vir tudo à tona."
 


Prisão de Sergio Moro

O ex-deputado também avaliou que Moro não sairá como candidato a governador do Paraná após todas as provas dos crimes cometidos pelo ex-juiz na época da Lava Jato. "Ele é um criminoso que hoje está travestido de senador. Ele vai perder o cargo e vai ser preso. Ele, Deltan Dallagnol e todos que fizeram o que fizeram comigo: chantagem, torturas psicológicas e irregularidades ao monte", afirma Garcia. 

Ele reforça que todas as provas estão nos autos do processo, principalmente relatos do delegado federal da época que acompanhava o caso e ficou "preocupado" com o que Moro pedia, de acordo com Garcia.

"Tentaram de tudo para isso não aparecer, mas hoje se realizou o que eu estou batalhando faz dois anos e meio para acontecer. O Brasil vai ser passado a limpo, pode ter certeza. É o maior escândalo judicial que houve no país. Começou comigo e terminou na Lava Jato."

Confira a entrevista completa de Tony Garcia ao Fórum Onze e Meia 

*Matéria atualizada às 11h40 do dia 5 de dezembro para a inclusão de informações.

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