Adepto das teorias conspiracionistas do bolsonarismo radical desde os tempos de Jovem Pan, o vereador Adrilles Monteiro (União) surtou durante sessão da Comissão de Educação da Câmara Municipal de São Paulo nesta quarta-feira (28) ao sair em defesa da colega Cris Monteiro (Novo), que foi denunciada ao Ministério Público após cometer dois atos racistas no mesmo dia na casa legislativa paulistana.
ENTENDA:
Denunciada por racismo, vereadora Cris Monteiro, do Novo, nega que seja "burguesa malvada"; vídeo
"Branca, bonita e rica": Cris Monteiro cogitou chamar "preta pra ir à Faria Lima com sapato barato"
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Após dizer da tribuna, em 29 de abril, que "uma mulher branca, bonita e rica incomoda muito vocês", se dirigindo aos servidores que assistiam a sessão, Cris Monteiro se explicou a um grupo de mulheres da comunidade judaica em reunião na Câmara fazendo chacota com a vereador Keit Lima (PSOL), convidando "a vereadora preta para visitar a Faria Lima com seus sapatos baratos".
Keit Lima denunciou o caso como racismo e classismo ao Ministério Público. No entanto, Adrilles Jorge se revoltou, dizendo que a colega do Novo não cometeu racismo durante debate de um projeto sobre o tema com Luna Zaratini (PT) na comissão de Educação.
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O ex-BBB e Jovem Pan bradava que "não existe racismo estrutural no Brasil" se colocando contra a proposta da vereadora de levar o debate às escolas públicas. Ao citar a colega como exemplo, ele deu um chilique.
"Você criar falas situações em que pessoas sejam acusadas de racistas, como aconteceu uma vereadora dessa casa", iniciou, elevando o tom e fazendo gestos com as mãos. "Recentemente foi, de maneira injusta, caluniosa, infame, acusada de racista, é esse meu medo dessa série de protocolos antirracistas", emendou.
Em seguida, Adrilles voltou a surtar para defender a posição da ultradireita neofascista sobre a "agenda woke" - como tratam pejorativamente as políticas de justiça social, diversidade e inclusão de grupos estruturalmente marginalizados.
"Já há uma contestação de se estabelecer uma cultura racista no país que eu acho completamente equivocada e que cria a segregação racial, que cria uma divisão racial. É neste sentido que desconfio de seu projeto", disse a Luna, sentada em frente.
"O que eu não quero é que toda a sociedade brasileira seja chamada de racista, porque não é. É o país mais miscigenado do mundo, o país menos racista do mundo", seguiu sem citar fonte alguma desses dados e elevando novamente a voz.
"Embora aja casos pontuais, como a senhora disse, de racismo, de descriminação, de assassinato, de estupro, mas o país não é estruturalmente machista, não estruturalmente racista, misógino ou homofóbico. É nesse sentido que eu combato essa cultura woke", prosseguiu.
Em seguida, ele é interpelado pelo vereador Celso Giannazi (PSOL) sobre a "falsa acusação". "Quem falou: o Ministério Público, a Defensoria?", indagou o vereador do PSOL. Adrilles, então, diz que "o Ministério Público é, em boa parte, ideologizado", engasgando no final.
Nos corredores, Adrilles voltou a dar chilique, que foi registrado pela vereadora Luna Zaratini.
Assista aos vídeos.