AH, A DEMAGOGIA...

Motta cobra corte de gastos, mas paga R$ 110 mil para jato levá-lo a uma festa

Presidente da Câmara ainda não estava no posto, mas fazia campanha para o cargo, quando usou dinheirama do fundo partidário. Semanas atrás, ele pagou R$ 27 mil num jantar

Créditos: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Escrito en POLÍTICA el

O discurso de contenção de gastos do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) é o puro suco da hipocrisia. O mesmo parlamentar que faz pose de guardião da responsabilidade fiscal para emparedar o governo Lula (PT) não titubeia na hora de meter acionar os cofres públicos para bancar luxos pessoais. Prova disso é o valor escandaloso de R$ 110 mil pago via do fundo partidário, um dinheiro de todos nós, para fretar um jatinho exclusivo até Belém (PA). O motivo? Participar de uma festança pelo aniversário de 80 anos do senador Jader Barbalho (MDB), num sabadão, com direito a voo solo: Motta foi o único passageiro.

De Brasília a Belém: voo exclusivíssimo, mas a conta é coletiva

Na manhã de 26 de outubro de 2024, Motta embarcou em Brasília às 11h15, pousou em Belém para dar as caras na comemoração do cacique do MDB e, horas depois, retornou ao conforto de seu gabinete na capital federal. A extravagância aconteceu justamente quando o então deputado articulava sua campanha para assumir a presidência da Câmara, cargo que hoje atualmente. Entre os convidados da festa, figurões da política, como o deputado Arthur Lira (PP-AL), à época presidente da Câmara, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Enquanto isso, a narrativa de “cortar privilégios” e “diminuir os gastos” de um governo que tem implorado por mais recursos para programas sociais continua sendo empurrada goela abaixo do povo brasileiro, que ao fim e ao cabo paga por essa farra.

Luxo, comilança e moral de araque

Não satisfeito em voar sozinho de jato pago com verba partidária, Hugo Motta também não economiza quando o assunto é papear com aliados. Em junho último, segundo revelou o portal Metrópoles, o parlamentar despejou nada menos que R$ 27 mil num jantar para bem nutrir três dezenas de deputados. Pela matemática, cada menu para suas excelências custou R$ 904. Mas ele jura que luta mesmo pelo equilíbrio fiscal e o saneamento das finanças públicas.

Motta faz questão de posar como guardião da austeridade, travando verbas que poderiam garantir políticas públicas, enquanto ele mesmo não abre mão de mimos caros, mesa farta e tapete vermelho para quem o ajuda a se segurar o poder.

O discurso da “austeridade” que serve só para os outros

Enquanto o cidadão comum aperta o cinto para sobreviver, Motta quer mais R$ 5,6 bilhões em emendas de comissão para encher ainda mais os bolsos dos parlamentares aliados, somando a nova cifra aos já estrondosos R$ 35 bilhões em emendas impositivas individuais e de bancadas estaduais que este ano serão despejados nos gabinetes. A vida real, no entanto, mostra o tamanho da contradição: jatinho de luxo, festa privada e banquetes palacianos. Um retrato grotesco de como o discurso moralista e econômico de certos parlamentares é só uma cortina de fumaça para encobrir privilégios indecentes.

Nota do deputado

Em nota emitida por sua assessoria de imprensa, em relação ao jato, Hugo Motta disse que “o pagamento foi realizado de forma regular, em conformidade com a legislação vigente e com as normas internas do partido, não havendo qualquer irregularidade ou impropriedade nos procedimentos adotados".

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