O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) recuou após semanas de pressão. Eduardo está nos Estados Unidos, onde atua em articulação com aliados de Donald Trump para pressionar instituições brasileiras e tentar livrar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, da prisão.
Em publicação nas redes sociais neste sábado (2), Lindbergh comentou um trecho de uma entrevista concedida por Eduardo à Revista Oeste, veículo alinhado ao bolsonarismo.
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“Eduardo Bolsonaro agora finge que não ameaçou ninguém e que se trata apenas de um convite ao diálogo. Mas foi ele mesmo quem disse que Hugo Motta e Davi Alcolumbre poderiam ser alvos de sanções — como a revogação de vistos e a aplicação da Lei Magnitsky — se não aprovassem a anistia. Está gravado. Esqueceu? Ou está recuando?”, provocou o petista.
Pressão sobre Congresso e ameaças veladas
Na entrevista, concedida no dia 25 de julho, Eduardo sugeriu que a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, poderia abrir caminho para outros pedidos semelhantes. Ele disse querer “colocar Davi Alcolumbre confortável” para pautar o impeachment de Moraes no Senado e também avançar com a anistia ampla aos golpistas de 8 de janeiro.
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Eduardo mencionou declarações anteriores de Alcolumbre contra a "intervenção do STF no Congresso" e afirmou que o senador estaria no "foco do governo americano". Segundo ele, Alcolumbre poderia evitar sanções e preservar seu visto para os EUA caso não apoiasse o que chamou de "regime brasileiro".
Ele também citou Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente em exercício da Câmara, como peça-chave para a tramitação da anistia. “Tenho certeza que Alcolumbre e Hugo Motta não são iguais a Alexandre de Moraes, mas eles precisam prestar atenção no que está acontecendo aqui”, disse, insinuando que acompanha de perto os movimentos do Legislativo.
Confira
Traidor da pátria
Conhecido como Dudu Bananinha, Eduardo tem sido chamado de “novo Silvério dos Reis” — o homem que, no século XVIII, delatou os líderes da Inconfidência Mineira em troca de perdão de dívidas e privilégios da Coroa portuguesa. Para críticos, ele age como traidor da pátria, colocando os interesses da família acima da soberania nacional.
Eduardo tem defendido medidas hostis contra o Brasil no exterior. Além de pedir sanções contra Alexandre de Moraes, ele fez lobby pelas tarifas de 50% impostas por Donald Trump contra produtos brasileiros. A meta é pressionar o Congresso a aprovar a anistia e abrir caminho para o impeachment de ministros do STF.