ABANDONOU SÃO PAULO

Tarcísio some das redes por 5 dias e reaparece defendendo anistia a Bolsonaro

Enquanto o STF iniciava julgamento do núcleo crucial da quadrilha de Bolsonaro, o governador investiu em encontros secretos e abandonou os compromissos oficiais em São Paulo.

Silas Malafaia observa Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro em ato na Paulista.Créditos: Divulgação / Silas Malafaia
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Depois de abandonar o governo de São Paulo para se aventurar na articulação da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ficar cinco dias em silêncio nas redes sociais, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reapareceu nesta quinta-feira (4) justamente com uma publicação sobre o projeto para livrar o ex-presidente da cadeia. 

“A história já mostrou que a anistia e o perdão são os melhores remédios para pacificar o país”, escreveu o governador de São Paulo, anexando um vídeo.

O vídeo anexado à publicação mostra Tarcísio em um tom de palanque político, onde ele usa a figura de ex-presidentes brasileiros que concederam anistia ao longo da história, no intuito de banalizar a articulação política efetuada para livrar os réus julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima semana.

“Na história do Brasil sempre tivemos anistia”, fala Tarcísio no começo do vídeo. “Por que não dar anistia agora? Pedir anistia não é uma heresia”, completa.

A última publicação do governador havia sido no domingo (31), quando deixou apenas uma mensagem religiosa com versículos bíblicos sobre “oração e súplica” — em sintonia com sua guinada para o discurso religioso e político em defesa de Bolsonaro.

O post ocorre após uma semana de agendas obscuras em Brasília, onde Tarcísio abandonou os compromissos do governo paulista para se dedicar integralmente à articulação da anistia, tudo isso em meio a um momento crítico do estado, que ficou sem liderança durante investigações delicadas que mostravam um elo entre a Faria Lima e o PCC.

Entenda o abandono de São Paulo

Na última terça-feira (2), o governador paulista abandonou o estado e voou para Brasília onde fez uma série de reuniões às escuras com figuras como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Um dos encontros ocorreu em um escritório de advocacia ligado ao partido do governador, sem registro oficial na agenda.

Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgava o núcleo central da tentativa de golpe de Estado liderada por Bolsonaro. Ministros da Corte já sinalizaram maioria para barrar a constitucionalidade de uma eventual anistia.

A justificativa formal de Tarcísio para a viagem foi uma reunião com Sandoval Feitosa, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), indicada por Bolsonaro. O encontro, no entanto, foi o único registrado oficialmente, apesar de o governador ter desembarcado em Brasília ainda pela manhã e dedicado os dois dias seguintes a articulações políticas.

Na volta a São Paulo, Tarcísio seguiu priorizando o tema: jantou com o pastor Silas Malafaia e o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara e principal articulador da proposta. Nesta quinta-feira, recebeu o deputado Cezinha da Madureira (PSD-SP), ligado à bancada evangélica, para ampliar apoios ao projeto.

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