500 mil mortes: Líderes da oposição protocolam ofício para que Congresso declare luto de 7 dias

"Não são mortes acidentais e inevitáveis. Imensa parte é fruto da necropolítica do governo Bolsonaro", diz o documento, que pede ainda sessão solene em homenagem às vítimas da Covid

9 líderes de partidos de oposição protocolaram neste domingo (20) um ofício, encaminhado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em que pedem para que o Congresso Nacional declare luto de 7 dias em virtude da marca de 500 mil mortes por Covid-19 atingida pelo Brasil neste sábado (19).

Além da declaração de luto, os parlamentares solicitam que seja realizada uma sessão solene em homenagem às vítimas do coronvírus.

“É trágico e inaceitável a marca de meio milhão de brasileiros e brasileiras mortos pela pandemia de CORONAVIRUS! Reunidos em sessão solene honraremos a memória desses compatriotas que partiram. Num ato de luto. Num gesto de empatia. Num ato de luta. Num gesto de protesto!”, escrevem.

No ofício, os líderes ainda associam diretamente o elevado número de mortes no país à maneira como o presidente Jair Bolsonaro vem lidando com a pandemia. “Não são números. Cada um ou cada uma que se foi era o amor de alguém. Um filho, uma mãe, um avô, uma irmã. Não são mortes acidentais e inevitáveis. Imensa parte dessas mortes são fruto do negacionismo, da ignorância, da irresponsabilidade, da corrupção, da necropolítica do Governo Bolsonaro”, pontuam.

Os parlamentares querem que, com a sessão solene, o Congresso Nacional reforce o seu “compromisso com a ciência e a saúde pública”. “Com a civilização contra a barbárie e por um basta à política genocida!”, finalizam.

O ofício é assinado pelo líder da Minoria na Câmara, deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ); pelo líder da Oposição, deputado Alessandro Molon (Rede-RJ); pelo líder da Minoria no Congresso, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP; pelo líder do PT na Câmara, deputado Elvino Bohn Gass (PT-RS); pelo líder do PSB, deputado Danilo Cabral (PE); pelo líder do PDT, deputado Wolney Queiroz (PE); pela líder do PSOL, deputada Talíria Petrone (RJ); pelo líder do PCdoB, deputado Renildo Calheiros (PE); e pela líder da Rede, deputada Joenia Wapichana (RR).

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O presidente Jair Bolsonaro, até a publicação desta matéria, ainda não havia proferido sequer uma palavra sobre a marca macabra de 500 mil mortes. “O Brasil todo lamenta as 500 mil mortes. Menos o presidente. Isso diz muita coisa sobre seu caráter”, criticou o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI do Genocídio.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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