A Globo, o porteiro de Bolsonaro e o novo AI-5

A Globo sempre foi simpática à Ditadura. Mas, não é e nem nunca foi - com exceção ao projeto de barrar a volta de Lula à Presidência do Brasil - simpática a Bolsonaro. E Bolsonaro sabe disso

Adepta da velha prática das famílias da mídia gorda – de chantagear governos com cobertura jornalística tendenciosa caso não seja atendida em polpudas verbas publicitárias -, a Rede Globo não sabe se morde ou assopra Jair Bolsonaro no caso do porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde moram o presidente, o filho, Carlos Bolsonaro, e o executor do assassinato de Marielle Franco (PSol) e Anderson Gomes, o ex-PM miliciano Ronnie Lessa.

A bem da verdade, todos sabemos que Globo e Bolsonaro nunca se bicaram. A família Marinho só se juntou ao capitão no golpe para afastar qualquer possibilidade de Lula voltar à Presidência após Bolsonaro colocar em sua trupe o “Instituto Milleninum” Paulo Guedes.

Expert em politicalha, Bolsonaro trocou a roupa de militar estatizante pela fantasia de “salvador da pátria” neoliberal. Assumiu a ignorância em economia e terceirizou a tarefa de rifar o Brasil ao posto Ipiranga. A Globo aplaudiu.

A Globo tem motivos de sobra para aprofundar a cobertura do caso do porteiro e colocar Bolsonaro nas cordas – o editor da Fórum, Renato Rovai, esmiuçou isso em seu artigo.

Porém, resolveu recuar diante de uma apuração jornalisticamente frágil, com receio de perder ainda mais do que já perdeu até então com o governo Bolsonaro.

Diante das ameaças de um repeteco da Ditadura e um novo AI-5, a Globo teme perder a concessão de transmissão, que vai muito além da bilionário perda publicitária que vem sofrendo com a drenagem de verbas para os concorrentes, especialmente o SBT e a Record, e as redes sociais.

A Globo sempre foi simpática à Ditadura. Mas, não é e nem nunca foi – com a exceção à regra destacada aí em cima – simpática a Bolsonaro. Bolsonaro sabe disso e por esse motivo mostrou toda a artilharia que montou ao aparelhar os órgãos de investigação e articular ataques da mídia aliada às milícias virtuais para fazer sua Blitzkrieg.

A guerra está posta. Tic Tac.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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