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04 de julho de 2019, 06h13

Ação de Moro contra Glenn Greenwald é “abuso de poder sem cabimento”, dizem jornalistas estrangeiros

"Este tipo de intento de desestabilizar e intimidar um jornalista estrangeiro por fazer o seu trabalho, configura uma violação grave no seu direito de investigar jornalisticamente", diz em nota a Associação de Correspondentes Estrangeiros

Moro e Glenn Greenwald (Montagem)

Uma carta divulgada nesta quarta-feira (3) pela Associação de Correspondentes Estrangeiros (ACE) em apoio ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept, afirma que a investigação conduzida pela Polícia Federal, comandada por Sergio Moro, representa “abuso de poder sem cabimento”.

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“Este tipo de intento de desestabilizar e intimidar um jornalista estrangeiro por fazer o seu trabalho, configura uma violação grave no seu direito de investigar jornalisticamente, além de ser um abuso de poder sem cabimento, especialmente, partindo de uma autoridade que representa a justiça”, diz a carta.

A investigação conduzida pela PF de Moro solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que levante dados sobre as contas de Glenn. Para os colegas da imprensa internacional, a apuração “fere a liberdade de imprensa”.

“A investigação formal de Greenwald por parte de uma entidade subordinada ao ministro Sérgio Moro, principal citado nas reportagens, é grave e fere a liberdade de imprensa, situação que não corresponde à de um governo eleito democraticamente”.

Leia a carta na íntegra

Carta dos correspondentes estrangeiros em defesa do colega Glenn Greenwald

A Associação de Correspondentes Estrangeiros (ACE), que reúne jornalistas da imprensa internacional, em São Paulo, manifesta a sua extrema preocupação com as informações veiculadas na imprensa brasileira, sobre as investigações que a Polícia Federal está realizando sobre a situação financeira do colega Glenn Greenwald, que configuram pressão por conta da série de reportagens desenvolvidas pelo The Intercept, em colaboração com destacados veículos nacionais, entre eles, o maior jornal do país.

A investigação formal de Greenwald por parte de uma entidade subordinada ao ministro Sérgio Moro, principal citado nas reportagens, é grave e fere a liberdade de imprensa, situação que não corresponde à de um governo eleito democraticamente.

Este tipo de intento de desestabilizar e intimidar um jornalista estrangeiro por fazer o seu trabalho, configura uma violação grave no seu direito de investigar jornalisticamente, além de ser um abuso de poder sem cabimento, especialmente, partindo de uma autoridade que representa a justiça.

Pedimos ao ministro Sérgio Moro, que reconsidere e suspenda imediatamente esses procedimentos por ferirem os princípios da democracia.

Associação dos Correspondentes Estrangeiros (ACE)

São Paulo, 3 de Julho de 2019


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