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05 de junho de 2020, 10h25

Adélio não é criminoso profissional e agiu sozinho, diz Procuradoria em pedido de arquivamento do segundo inquérito

Investigação mostra que não houve mandante ou pagamento feito ao esfaqueador do presidente

Foto: Reprodução

Mesmo com a insistência do presidente Jair Bolsonaro de que haveria um mandante e uma conspiração contra sua vida, o Ministério Público Federal afirmou que Adélio Bispo não é criminoso habitual ou profissional no texto do parecer que pede o arquivamento do segundo inquérito do atentado à faca que sofreu o então candidato, em 2018, durante a campanha.

O documento de 45 páginas aponta que Adélio Bispo agiu sozinho e acaba com as teorias de que mandantes teriam planejado o crime mediante pagamento.

Embora tenha sido premeditado, o crime não teve planejamento e nem execução com ‘maior sofistação’, e nem se tratou de trabalho levado a efeito com ‘discrição, precisão e eficiência’. De acordo com as investigações, Adélio teria idealizado o atentado quando viu um outdoor na semana de 26 de agosto a 1º de setembro de 2018 anunciando a ida de Bolsonaro à Juiz de Fora (MG) no dia 06 daquele mês.

As investigações apontaram que o Adélio Bispo já morava na cidade mineira desde o dia 18 de agosto, quando se mudou de Florianópolis à procura de emprego, e não teria viajado apenas para cometer o crime.

A PF chegou a analisar todas as 14 linhas telefônicas que Bispo teve nos últimos anos, inclusive com quebra de sigilo de números de telefones conectados a estações de rádio base localizadas em coordenadas geográficas correspondentes a lugares que Adélio morou ou trabalhou.

“Não foram encontradas, todavia, interseções relevantes entre as linhas que estiveram conectadas às diferentes antenas. O resultado da diligência permite concluir que Adélio não utilizou telefone que tivesse permanecido oculto à investigação”, apontou investigação.

As apurações também não encontraram sinais de que o crime teria sido cometido mediante pagamento, como espalhou-se largamente em Fake News, pois não foram identificadas nas contas bancárias de Adélio Bispo e de seus familiares nenhuma movimentação financeira que não fosse compatível com suas atividades trabalhistas ou padrões de vida.

A única pendência é sobre a análise do sigilo do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que defendeu Adélio durante o processo criminal. A diligência se encontra travada por decisão judicial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e será reavaliada pelo Supremo Tribunal Federal.

“Nessa investigação, também não há suspeita de participação dos advogados na infração penal. E a identificação da origem dos honorários alegadamente contratados faz-se igualmente necessária à completa elucidação do fato. Trata-se da linha de investigação ainda pendente, em coerência com a orientação de exaurimento de todas as hipóteses cogitadas”, disse a Procuradoria.


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