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05 de outubro de 2018, 11h54

Adriana Carranca, autora de livro sobre Malala, posta a respeito da retirada da placa de Marielle

“Não se trata de direita ou esquerda. Mas de nós, todos nós, e a estupidez, a indignidade, a desumanidade”, desabafou a jornalista no Facebook

Reprodução/Facebook

A escritora e jornalista Adriana Carranca, repórter do Projeto de Migrações Globais, sediado na Universidade de Columbia, nos EUA, e dirigido por Sarah Stillman, da revista New Yorker e especialista em cobertura internacional, postou texto indignado em sua conta no Facebook a respeito do episódio onde dois homens com camisetas de apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) quebram placa em homenagem a Marielle Franco, vereadora do PSOL assassinada em abril.

A autora de livros como “Malala, a menina que queria ir para a escola” e “O Afeganistão depois do Talibã”, compartilhou texto do Estadão onde Flávio Bolsonaro (PSL), candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro e filho do presidenciável, Jair Bolsonaro (PSL), defendeu a destruição da placa.

No texto, a escritora afirma que “Marielle sou eu, você, seus filhos e netos, seus irmãos e irmãs. Marielle é o Brasil que acorda para trabalhar e dar uma vida melhor aos filhos e construir uma sociedade melhor todos os dias”.

Ao final, ela adverte: não se trata de direita ou esquerda. Mas de nós, todos nós, e a estupidez, a indignidade, a desumanidade. Criminosos livres para matar, autoridades públicas que não se sentem obrigadas a dar respostas, e uma população calada: é isso o que defendem esses homens, sorrindo na foto?”, encerrou.

Leia o texto na íntegra abaixo:

Marielle Franco era socióloga, com mestrado em administração pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e a quinta vereadora mais votada no Rio em 2016. Nascida no Complexo da Maré, começou a trabalhar com 11 anos, ajudou a família e conseguiu vencer os limites impostos a milhões brasileiros pela desigualdade com muito trabalho e estudo.

Marielle sou eu, você, seus filhos e netos, seus irmãos e irmãs. Marielle é o Brasil que acorda para trabalhar e dar uma vida melhor aos filhos e construir uma sociedade melhor todos os dias. Ela foi morta com uma rajada de metralhadora na cabeça. Os tiros atingiram também o motorista Anderson Pedro Gomes. Ambos deixaram famílias, que ainda lidam com a dor do luto.

A vida de cada um é importante e uma das muitas bandeiras de Marielle era a luta contra a violência e a criminalidade que mata civis e policiais. Uma das políticas que defendeu era o auxílio às famílias de policiais mortos nessa guerra urbana.

O crime aconteceu em 14 de março e até hoje não foi esclarecido. Uma das hipóteses de autoria aponta para milicianos que exercem domínio armado sobre áreas carentes, onde exploram negócios ilegais e cometem extorsões (leia também: https://brasil.elpais.com/…/…/opinion/1538598107_760467.html).

O crime ganhou repercussão mundial porque Marielle era uma representante pública eleita democraticamente em uma das maiores cidades do Brasil e, assim, representa a dimensão da insegurança e da falta de Justiça no país, representa os tantos brasileiros anônimos assassinados todos os dias.

Quem não entende isso não sabe o que é ser um representante público. Ao escolher um representante, o eleitor escolhe aquele que, como o nome diz, representa seus valores, sua ética, seu caráter, sua visão de sociedade e de mundo; aquele a quem você, em última instância, nomeará para tomar decisões sobre a educação, a proteção, a defesa dos direitos, o futuro dos seus filhos e netos.

Não se trata de direita ou esquerda. Mas de nós, todos nós, e a estupidez, a indignidade, a desumanidade. Criminosos livres para matar, autoridades públicas que não se sentem obrigadas a dar respostas, e uma população calada: é isso o que defendem esses homens, sorrindo na foto?


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