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22 de agosto de 2019, 08h51

Agronegócio sente pressão internacional e já se afasta de Bolsonaro

Diretor da Associação Brasileira do Agronegócio, Marcello Brito, acredita que é questão de tempo para o Brasil sofrer boicotes internacionais e que vai custar caro ao país reconquistar a confiança de alguns mercados. "Não podemos transformar o presidente da República"

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Os discursos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) com relação à política ambiental do país tem preocupado autoridades e empresários do agronegócio, em especial os exportadores. A percepção é de que o setor corre sério risco de sofrer boicotes internacionais, como já tem acontecido na área de proteção ambiental, e que será necessário agir sem o apoio do presidente. O chefe da Associação Brasileira do Agronegócio, Marcello Brito, disse em entrevista ao Valor que acredita ser “questão de tempo” tais boicotes e que “vai custar caro ao país reconquistar a confiança de alguns mercados”.

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“Precisamos parar com essa mania de achar que o Brasil é o único produtor mundial de alimentos e que, se a gente não fornecer, ninguém o fará. A lei de mercado é clara: deixe um espaço vazio e alguém irá ocupar”, afirmou Brito. Para ele, o setor precisará trabalhar “de forma uníssona” para tentar reverter os danos causados pela percepção sobre a política ambiental do governo. “Não podemos transformar o presidente da República”, disse.

A exigência de um agronegócio que seja pautado na proteção ambiental é algo trivial fora do Brasil. No entanto, sustentabilidade é um tema que apresenta prioridades diferentes no governo Bolsonaro com relação aos países europeus. Esse choque de interesses poderá trazer consequências graves, como o cancelamento do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia.

O ex-ministro da Agricultura no governo de Michel Temer, Blairo Maggi (PP), chama atenção para a cláusula do acordo entre os blocos permite que a Europa barre importações do Brasil, o que poderia ter complicações por conta das falas do presidente. “Essas confusões ambientais poderiam criar uma situação para a UE dizer que o Brasil não estaria cumprindo as regras. E não duvido nada que a gritaria geral que a Europa está fazendo seja para não fazer o acordo. A França não quer o acordo”, disse.


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