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02 de fevereiro de 2018, 17h07

Além da crueldade e maus tratos, navio com animais causa transtornos à cidade de Santos

Ativistas marcaram manifestação para o próximo domingo, em Santos, a partir das 14h

Ativistas marcaram manifestação para o próximo domingo, em Santos, a partir das 14h

Da Redação*

Depois de várias vitórias consecutivas contra o embarque de animais no Porto de Santos, ativistas acampados em frente ao cais onde está o navio Nada com cerca de 27 mil bois, marcaram manifestação para o próximo domingo (4). O evento está previsto para a Praça dos Andradas, em Santos, litoral de São Paulo, a partir das 14h.

De acordo com o ativista Ernesto Nunes, a pressão dos ativistas pelos direitos animais, com vários filmes e imagens que constatam maus tratos, acabou mobilizando a cidade contra a crueldade do embarque, que não acontecia em Santos há 20 anos.

“Nesta madrugada, ativistas que estavam no porto sentiram cheiro de carne queimada e de fezes. Contaram 15 caminhões frigorífico entrando no local. O fato nos fez suspeitar que estariam matando os animais”, disse.

Ainda de acordo com Ernesto, até o momento nada ficou constatado, mas uma veterinária da prefeitura esteve no local e deve emitir um laudo nas próximas 24 horas.

O juiz Márcio Kammer de Lima, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Santos, determinou o desembarque dos quase 27 mil bois que estão a bordo do navio Nada, atracado no Cais do Saboó, no Porto de Santos. Em sua decisão, anunciada no início da tarde desta quinta-feira (1º), ele também reforçou a suspensão do embarque de cargas vivas no complexo e proibiu a partida do cargueiro, além de fixar uma multa de R$ 5 milhões para qualquer embarcação que carregar animais no Porto.

Nesta sexta-feira (2), a Prefeitura de Santos voltou a multar a empresa Minerva Foods, por irregularidades no transporte de carga viva para o Porto de Santos. Depois de ter sido autuada em R$ 1,4 milhão por maus-tratos, a empresa foi autuada em R$ 2 milhões em razão do forte odor proveniente do embarque de 27 mil bois no cais santista.

Em sua decisão, a Administração Municipal também fixou multa de R$ 500 mil por dia quando for constatado mau cheiro na Cidade, em decorrência do transporte do gado.

Cheiro forte e reclamações

“É importante frisar que que essa multa é diária. Enquanto o navio permanecer no Porto causando esses reflexos de odor na Cidade, que tem sido significativo, especialmente no Centro, nós vamos aplicar multa diária de mais R$ 500 mil”, afirmou o prefeito Paulo Alexandre Barbosa, ressaltando os reflexos causados ao Município desde o início do transporte dos bois ao Porto.

Desde a última quarta-feira (31), os moradores de Santos estão incomodados com o forte odor de estrume que se espalhou por vários bairros da cidade. O secretário de Meio Ambiente de Santos, Marcos Libório, afirma que a Prefeitura de Santos recebeu muitas reclamações referentes ao cheiro.

“Nós recebemos várias reclamações. Os fiscais estiveram mapeando a cidade, verificando se havia a possibilidade de outra fonte, mas não foi constatado nada. Tudo indica que a origem do cheiro é proveniente do navio atracado no Porto de Santos”, explica o secretário.

Segundo ele, a empresa Minerva feriu o artigo 3 da Lei Complementar nº 817/2013, que prevê multas às empresas poluidoras. Segundo a legislação, causar poluição atmosférica, ainda que momentânea, ou que provoque, de forma recorrente, significativo desconforto respiratório ou olfativo devidamente atestado pelo agente autuante, pode ocasionar uma multa.

“A multa será aplicada. Houve um forte desconforto. Há a sensação que estamos em um esgoto a céu aberto. Essa lei ela trata justamente de controle ambiental”, falou o secretário. Segundo Libório, a empresa será notificada e deve tomar medidas para que o forte odor seja contido, já que, por conta das medidas judiciais, o tempo de permanência do navio no Porto de Santos ainda é indefinido.

“Cabe o dono da carga tomar medidas para que o odor não chegue na cidade. Cabe a empresa apresentar esses justificativas à prefeitura. Vamos notificá-los dessa nova penalidade para que a empresa possa resolver essa situação”, finaliza.

*Com informações do G1 e da Tribuna de Santos

Foto: Reprodução


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