“Aliança eleitoral não é aliança ideológica”, diz Gleisi Hoffmann sobre sucessão presidencial

A presidenta do PT acredita que o mais importante no processo de construção de uma aliança eleitoral é ter claro o que se quer para o país: “Isso é o que tem que nortear as discussões”

A presidenta nacional do PT e deputada federal, Gleisi Hoffmann, declarou que é imprescindível construir alianças durante as eleições, desde que fique claro o projeto que se deseja para o Brasil. “Aliança eleitoral não é aliança ideológica, de linha política homogeneizada. A gente não pode se enganar nesse processo. Se a gente tiver isso claro, não vejo problema em construir alianças”, disse.

Ela se referiu à informação veiculada pelo jornalista Marco Damiani, no site Brasil 2 Pontos, sobre a possibilidade do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, deixar o PSDB por conta da falta de espaço na disputa com o atual governador, João Doria, e ir para o PSB, para ser o vice na chapa do ex-presidente Lula, em 2022.

“O que eu acho importante nesse processo de construção de uma aliança eleitoral é ter claro, em primeiro, o projeto, o que você quer para o país. Isso é o que tem que nortear as discussões, o que é centralidade nesse projeto, que nós não abrimos mão, que não tergiversamos e que nós vamos levar à frente”, afirmou Gleisi, em entrevista, nesta sexta-feira (30), ao Fórum Onze e Meia.

“Você não ganha uma eleição só com o campo da esquerda e da centro-esquerda. Nós temos 30%, as pessoas sabem disso. Fizemos aliança com o centro-direita e tivemos um vice que participou do golpe, foi muito difícil e traumático, não só para o PT, mas para outros setores da esquerda. Entretanto, a gente também aprende muito com o que vive, com os erros que comete”, apontou.

“É óbvio que para ganhar uma eleição, em um determinado momento do processo eleitoral, é preciso ampliar o campo que você está, pois não é com 30% que você vai ganhar. Nós perdemos a eleição em 2018, porque o Bolsonaro avançou para o centro da sociedade. Não estou falando só do centro dos partidos políticos, mas do centro da sociedade, a visão média do povo brasileiro. Se isso não for possível no primeiro turno, no segundo, se nós estivermos disputando, vamos ter que fazer”, refletiu a deputada.

Bolsonaro e a CPI

No entanto, Gleisi destacou que a preocupação prioritária é definir uma aliança política nesse momento de enfrentamento do governo de Jair Bolsonaro.

Para isso, em sua avaliação, a CPI do Genocídio vai ter um papel importante. “Todas as ações do governo ou falta delas vão ser explicitadas, vão ser debatidas, vão ser mostradas. Isso vai atingir bastante o Bolsonaro, mas eu acho que ele ainda continua com um núcleo com capacidade de fazê-lo disputar a presidência da República, se ele não for barrado antes. Eu acho que a gente tem que aumentar o tom nesse sentido e acredito que a CPI vai abrir espaço para isso”, acrescentou.

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Com Gleisi, o programa Fórum Onze e Meia iniciou uma série de entrevistas com presidentes de partidos progressistas. Na segunda-feira (3), Carlos Lupi, presidente do PDT, será o entrevistado.

Veja a íntegra da entrevista:

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Lucas Vasques

Jornalista e redator da Revista Fórum.

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