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14 de junho de 2019, 21h14

Alunos detidos durante Greve Geral em São Paulo denunciam abuso policial

Um carro foi incendiado, mas os estudantes negam participação na ocorrência; uma aluna foi algemada pelos pés

São Paulo, 14.jun.2019 - Véiculo queimado em protesto diante do Deic seria motivação para a detenção de manifestantes na greve geral (Gustavo Basso/Revista Fórum)

Dez estudantes e funcionários da USP foram detidos durante a Greve Geral desta sexta-feira (14), em São Paulo. De acordo com familiares e conhecidos dos manifestantes detidos, todos são alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) ou membros do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). O grupo está sendo acusado de atear fogo em um veículo. Eles negam participação.

Os amigos dos estudantes presentes ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) contam que a única mulher entre os detidos permaneceu horas algemada pelos pés, uma vez que não havia cela para ela. Apenas com a chegada dos advogados, a algema foi retirada.

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Uma aluna do curso de letras, que prefere não se identificar por temer represálias, afirma que o carro que foi queimado durante o ato não tentava furar o bloqueio imposto à manifestação, e que o condutor, não identificado, preferiu não prestar queixa, o que, para ela, desperta suspeitas.

“Foram cerca de três pessoas mascaradas que atearam fogo”, conta a aluna, defendendo haver mais detidos do que os envolvidos no episódio.

“Com o carro queimado, os policiais militares dispersaram a manifestação com o uso de bombas, o que antecedeu uma perseguição. Alguns dos estudantes foram detidos até mesmo dentro da USP”, narra a estudante.

Uma das alunas abordadas relata cenas de abuso por parte dos policiais. “Dividiram meninos e meninas e uma pessoa que não se identifica com nenhum dos dois foi separada e humilhada”, diz. Um dos detidos, segundo ela, teve o celular arrancado e foi ameaçado pelos policiais.

Depoimentos

Segundo os advogados Juliana Giglioli e Rafael Figueiredo, presentes ao Deic, no começo da noite desta sexta o delegado havia ouvido somente as testemunhas, trazidas pelos policiais. Depois disso, passaria aos interrogatórios com os detidos. Além dos dois, outros cinco advogados, incluindo defensoras públicas, estão trabalhando para os detidos.

O centro acadêmico do curso de Ciências Sociais da USP publicou uma nota comunicando as detenções, repudiando a ação da polícia e reivindicado a liberdade dos detidos.


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