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06 de junho de 2018, 09h35

Ambientalistas ocupam obra do BRT de Salvador contra a devastação de árvores e rios

O projeto de ACM Neto (DEM) já provocou críticas de várias personalidades como Caetano Veloso e o ex-ministro Juca Ferreira

O Movimento “Não ao BRT Salvador” ocupou, nesta quarta-feira (6), a obra do BRT, projeto da administração do prefeito ACM Neto (DEM), em Salvador, Bahia, que, de acordo com eles, “está devastando árvores, rios e vai degradar totalmente uma parte importante de nossa cidade”. De acordo com Walter Takemoto, uma das lideranças do movimento, a ocupação será mantida até às 17h desta quarta.

“O objetivo é mostrar para a população o que está acontecendo nesta área e pedir também a todos que puderem, que venham para cá. Nós queremos denunciar os danos que esta obra está provocando, seja no meio ambiente, como na fauna e também o que acontecerá com relação à construção destes viadutos e elevados caso essa obra não seja interrompida.”

Caetano é contra

O cantor e compositor Caetano Veloso publicou um vídeo em suas redes sociais, em maio, no qual faz críticas ao projeto de construção do BRT. “Salvador precisa é que se plantem árvores nela. Não que se lhe cortem árvores”. Caetano defendeu ainda uma “conversa boa, produtiva, responsável e corajosa” da prefeitura de Salvador com urbanistas e ambientalistas. “Sem o avanço dessas discussões, não se pode aceitar que se cortem árvores centenárias e que se danifique a paisagem urbana de Salvador, por uma opção de progresso duvidoso”, destacou.

Outro que se manifestou sobre a obra foi o sociólogo, ex-ministro da Cultura e secretário da Cultura de Belo Horizonte, Juca Ferreira. Para ele, é um escândalo que a prefeitura de Salvador mantenha a decisão de realizar uma obra “sem considerar os impactos negativos e que, além disso, conta com uma forte rejeição da população, como essa do BRT”.

“Caberia ao chefe do poder municipal liderar a preservação ambiental da cidade e pensar seu desenvolvimento em base sustentável e que traga reais benefícios para a qualidade de vida dos soteropolitanos. E, claro, estar sempre disponível para o diálogo com os cidadãos e cidadãs, como mandam os princípios democráticos. A teimosia nesse caso é um capricho tolo e demonstra espírito autoritário por parte do prefeito e essa obra deve ser rejeitada por todos”, disse Juca Ferreira.

A polêmica

As obras do projeto do Bus Rapid Transit (BRT) em Salvador começaram em março e tem provocado várias polêmicas, com protestos feitos por ambientalistas, urbanistas, moradores e artistas.

Especialistas e entidades da área ambiental, de mobilidade, de arquitetura e urbanismo avaliaram o projeto a pedido do G1. Os principais problemas apontados estão no custo das obras, no impacto ambiental – corte de árvores e tamponamento de rios – e na inclusão de faixas voltadas para carros, o que para eles, seria um investimento no transporte individual e não coletivo.

Já para a prefeitura, o BRT irá melhorar a qualidade da mobilidade na capital e resolver o problema histórico de alagamentos no trecho de construção.


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