“Analista” que participou da live com Bolsonaro é “militante bolsominion” do Exército, diz coronel

Eduardo Gomes é coronel da reserva e, atualmente, assessor na Casa Civil; "Na ativa, defendia ostensivamente a candidatura Bolsonaro/Mourão nas redes", afirma o coronel Marcelo Pimentel

A live desta quinta-feira (29) em que Jair Bolsonaro prometeu apresentar provas de fraude nas eleições, e que não apresentou prova alguma, contou com a participação de um homem identificado por Jair Bolsonaro apenas como “Eduardo, analista de inteligência”.

Ele seria o responsável por expor as supostas evidências, já desmentidas, de que há fraude nas urnas.

Após a transmissão ao vivo, veio à tona que o “analista de inteligência” é Eduardo Gomes da Silva, assessor especial do Ministério da Casa Civil. Ele foi nomeado para o cargo pelo então titular da pasta, general Luiz Eduardo Ramos, em abril deste ano.

Além de assessor de ministério, Eduardo é coronel da reserva do Exército, tendo se graduado em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negra, instituição onde também estudou Jair Bolsonaro.

“Militante bolsominion”

Pelas redes sociais, o também coronel da reserva Marcelo Pimentel revelou que fez um curso militar com Eduardo Gomes, e que o atual “analista de inteligência” do governo faria postagens pró-Bolsonaro nas redes sociais quando ainda era da ativa.

“O ‘analista de inteligência’ na live é o Cel Eduardo, de artilharia, meu colega no curso de Estado-Maior, 3a + moderno. Na ativa, defendia ostensivamente a candidatura Bols/Mourão nas redes e me destratava qdo eu, na reserva, criticava ativismo político de oficiais na ativa”, escreveu Pimentel.

“Não sei se o Eduardo serviu no CIE ou se tem o curso Avançado de Inteligência, mas como ‘analista’ é um excelente militante ‘bolsominion’ de um Exército cada vez mais… (complete vc, senão posso ser injustamente punido novamente)”, disse ainda o militar.

Gomes teria sido transferido para a reserva recentemente e suas supostas postagens pró-Bolsonaro teriam sido feitas em 2018, durante a campanha eleitoral.

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A legislação prevê que militares da ativa não podem fazer manifestações políticas. Este, inclusive, foi o mote para o processo disciplinar aberto em junho pelo Exército Brasileiro contra o general Eduardo Pazuello por ele ter participado de um ato político com Bolsonaro em maio.

O processo, no entanto, foi arquivado e colocado sob sigilo por 100 anos.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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