O que o brasileiro pensa?
07 de julho de 2020, 12h00

Antes de nota do bispo, Padre diz que teve “discussão acalorada” com bolsonarista: “Posso até ir para o inferno”

Em carta, Edson Adélio mostra antever a reprimenda que receberia da diocese local e diz que fez as críticas à Bolsonaro com a certeza de que "toda pessoa séria na vivência de sua fé está preocupada com o destino do país e a dor dos pobres"

Padre Edson Adélio Tagliaferro, de Arthur Nogueira -Reprodução

Pouco mais de 12 horas antes do bispo Dom José Roberto Fortes Palau, da Diocese de Limeira, emitir nota pedindo desculpas a Jair Bolsonaro, o padre Edson Adélio Tagliaferro publicou no Facebook da Paróquia Nossa Senhora das Dores, de Arthur Nogueira, interior de São Paulo, os motivos que o levaram a chamar o presidente de bandido em homilia no último dia 2, dia em que teve uma “discussão acalorada” com uma bolsonarista.

Leia também: Padre que criticou Bolsonaro em sermão ‘se excedeu’, diz Diocese de Limeira

“Antes de tudo, é bom que saibam reconhecer no padre um ser humano que também sofre as incoerências da vida, tem suas lutas interiores e desafios exteriores a enfrentar. Naquele dia específico eu tive uma conversa acalorada com uma apoiadora do presidente da República. Isso talvez tenha sido decisivo para o ocorrido”, diz o padre.

No texto, Edson Adélio mostra antever a reprimenda que receberia da diocese local, terminando a carta pedindo orações e dizendo que poderia “até ir para o inferno”.

“Eu posso até ir para o inferno, porque jamais quero desobedecer a uma ordem do meu Senhor e sou merecedor disso pelos meus muitos pecados, mas não terei como deixar a esperança ao entrar, pois minha esperança é Cristo e ele estará para sempre no meu coração, por toda a eternidade. Rezem por mim”.

Na carta, o padre diz que “o pano de fundo da referida homilia não foi pregar o ódio e divisões”, mas que fez uma “provocação teológica”, à cerca da fé em Jesus Cristo e a clareza do seu Evangelho de vida.

“Meu objetivo claro foi dizer que, como cristãos que somos, não podemos ser dúbios quanto a prática da fé. Mais que uma crítica política, foi uma provocação teológica. Não foi a defesa de outro partido político como alguns disseram. Foi uma explanação à cerca da fé em Jesus Cristo e a clareza do seu Evangelho de vida. Quem comunga o seu Evangelho não pode se associar ao reino da morte”, afirma.

Edson Adélio afirma ainda que “sabia das consequências embora não imaginasse que pudesse sair dos limites da cidade onde vivo” e ressalta que fez com a certeza de que “toda pessoa séria na vivência de sua fé está preocupada com o destino do país e a dor dos pobres”.

“Não é difícil fazer quarentena numa bela casa, com a geladeira cheia e vultosa conta bancária. Mas não é esta a realidade do nosso país. Infelizmente. E isso não está aí por acaso, é fruto de uma história. Afinal foram 388 anos de escravidão negra dos 500 de nosso país colonizado. Somente na cidade de São Paulo são 30.000 pessoas na rua nestes dias de frio. Quantos inocentes ainda terão que morrer baleados em nosso país? E por aí vai”, escreve o padre.

Leia a íntegra da carta do padre Edson Adélio Tagliaferro

NOTA DE ESCLARECIMENTO No dia dois de julho, durante a missa, fiz a homilia de costume. Havia cerca de cento e dez…

Publicado por Paróquia Nossa Senhora das Dores – Artur Nogueira em Domingo, 5 de julho de 2020

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