Fórum Educação
03 de fevereiro de 2020, 20h07

Anti-Brasil: Secom do governo Bolsonaro ataca Petra Costa

Em vídeo, o órgão do governo distorce fala da cineasta de "Democracia em Vertigem" e diz que ela espalha fake news; assista

Petra Costa (Foto: Diego Bresani)

A Secretaria Especial de Comunicação Social do governo Bolsonaro publicou um vídeo em suas contas oficiais na tarde desta segunda-feira (3) atacando a cineasta Petra Costa após entrevista concedida por ela ao jornalista Hari Sreenivasan, no programa Amanpour & Company, da rede PBS. O documentário “Democracia em Vertigem”, produzido por ela, concorre ao Oscar na categoria Melhor Documentário.

“Nos Estados Unidos, a cineasta Petra Costa assumiu o papel de militante anti-Brasil e está difamando a imagem do País no exterior. Mas estamos aqui para mostrar a realidade. Não acredite em ficção, acredite nos fatos”, diz a secretaria em mensagem publicada junto a um vídeo em que “desmente” falas da cineasta.

A secretaria distorce algumas das declarações de Costa e coloca uma tarja escrito “Fake News” mesmo em trechos em que ela expressa uma opinião, e não uma informação “jornalística”. A publicação vem logo depois de milícias virtuais do bolsonarismo promoverem a hashtag ‘PetraCostaLiar’ (Petra Costa Mentirosa) no Twitter.

Logo no início do vídeo, a documentarista comenta sobre o aumento da violência policial no Rio de Janeiro, governado por Wilson Witzel, que chegou ao poder apoiado por Jair Bolsonaro. Ela cita que o número de homicídios cometidos por policiais cresceu cerca de 20% no estado, dado amparado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) – que aponta um crescimento de 18%. Para a Secom, isso é “Fake News”, porque o índice de homicídios caiu no Brasil – desconsiderando o recorte feito por Costa.

Outro comentário taxado como “notícia falsa” foi quando Costa disse que o governo ameaça os direitos das minorias devido ao respaldo a ideias de extrema-direita. Ela ainda é chamada de mentirosa quando afirma que Bolsonaro estimula a invasão de terras na Amazônia e representa risco para a floresta.

A ONG de direitos humanos Human Rights Watch concorda com Petra.  “O presidente Bolsonaro fez declarações homofóbicas e buscou restringir os direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT)”, diz trecho de informe da entidade. “Suas políticas ambientais na prática deram carta branca às redes criminosas que praticam extração ilegal de madeira na Amazônia e usam intimidação e violência contra povos indígenas”, diz ainda.

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