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16 de agosto de 2019, 09h16

Aparelhamento da Receita Federal por Bolsonaro gera revolta e pode desencadear greve

Mario Dehon, chefe da Receita Federal do RJ, se recusou a nomear delegados estaduais indicados pelo clã Bolsonaro e está sendo demitido do cargo

Mário Dehon (Foto: YouTube)

O chefe da Receita Federal no Rio de Janeiro, Mário Dehon, será demitido do cargo a mando do presidente Jair Bolsonaro. A demissão foi ordenada porque Dehon se recusou a nomear delegados estaduais indicados pelo clã Bolsonaro. Funcionários do órgão anunciaram repúdio à exoneração e se reúnem nesta sexta-feira (16) para mobilização que pode resultar em greve.

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“A exoneração do Mario Dehon, bem como de qualquer servidor da Receita Federal por motivações políticas ou ideológicas é inaceitável. Permitir o aparelhamento de uma instituição como a Receita é sepultar em cova rasa o estado democrático de direito”, declararam os funcionários em nota.

A reunião, que acontece na manhã desta sexta-feira na superintendência da Receita, tem como objetivo “para marcar nossa posição de defesa intransigente contra a escalada do absurdo, contra o desmonte da Receita, do Estado e dos servidores”.

Eduardo Schettino, diretor de estudos técnicos do Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita, confirma que o caso de Dehon faz parte de uma escalada de interferências políticas no órgão. Ele diz que tem conhecimento de uma das tentativas de nomeação, referente ao Posto de Itaguaí, para o qual não havia nenhum processo oficial de seleção instaurado. “Na Receita, os cargos de Delegado, Inspetor e Chefe de Agência são preenchidos por meio de um processo seletivo com critérios técnicos e objetivos”, comentou Schettino.

Ele também diz que, além de Dehon, houve outra solicitação de exoneração da chefe de um dos centros de atendimento do RJ que, de acordo com ele, também se relaciona de alguma forma com os processos de familiares do presidente. “É bem possível que a Receita paralise completamente suas ações, interrompa as transformações estruturais grandes pelas quais passamos, até em virtude dos poucos recursos orçamentários e humanos de que dispomos”, completa.

Schettino também prevê que, se a exoneração de Dehon se concretizar, muitos administradores deixarão seus cargos, o que comprometerá a arrecadação e a fiscalização da Receita. “Esse é um órgão eminentemente técnico, sua derrocada agravará ainda mais a crise fiscal que vivemos”, completa.


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