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01 de novembro de 2018, 13h26

Após afirmar que ‘jamais entraria para a política’, Moro diz que “aceitou o honrado convite”

Em 2016, Moro declarou que a Justiça era "questão de prova" e achava “errado tentar medir a Justiça por essa régua ideológica”

Foto: Reprodução Estadão

Após afirmar em entrevista publicada pelo Estadão, em 2016, que ‘jamais entraria para a política’, o Juiz Sérgio Moro disse, em nota divulgada pelas redes sociais, nesta quinta-feira (1), que aceitou o convite para ser ministro da Justiça. Sem citar o nome de Jair Bolsonaro (PSL) em momento algum, Moro disse ainda que, “a Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências”, reiterou.

Leia a nota completa abaixo:

“Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois…terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra …o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências”.

Jamais entraria para a política

Moro, disse em entrevista ao Estadão, em 2016, que jamais entraria para a política. Na ocasião, o juiz federal, declarou também que a Justiça era “questão de prova” e achava “errado tentar medir a Justiça por essa régua ideológica”.

“Não, jamais. Jamais. Sou um homem de Justiça e, sem qualquer demérito, não sou um homem da política”, disse Moro. “Acho que a política é uma atividade importante, não tem nenhum demérito, muito pelo contrário, existe muito mérito em quem atua na política, mas eu sou um juiz, eu estou em outra realidade, outro tipo de trabalho, outro perfil. Então, não existe jamais esse risco.”

Questionado sobre se prenderia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que acabaria por acontecer em abril deste ano, Moro disse: “Esse tipo de pergunta não é apropriado, porque a gente nunca fala de casos pendentes.”

 


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