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23 de junho de 2019, 07h32

Após PF vazar lista por “descuido”, Lava Jato tentou blindar Moro de Teori Zavascki, do STF

Deltan Dallagnol procurou o delegado Márcio Anselmo, da PF, minutos depois de receber a reclamação do juiz, em 2016, e disse: "Moro está chateado". Teori, que foi relator da Lava Jato no STF, morreu em acidente aéreo em janeiro de 2017

Sergio Moro e Teori Zavascki (Montagem)

Após o vazamento pela Polícia Federal por “descuido” de documentos da Odebrecht, incluindo uma lista de políticos investigados pela Lava Jato que teriam foro privilegiado em 2016, procuradores e agentes da PF que atuavam na Lava Jato se articularam via aplicativos de mensagens para dar apoio e blindar Sergio Moro da tensão causada com o ministro Teori Zavascki, relator dos processos da operação na corte.

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As informações foram divulgadas neste domingo (23) pelo site The Intercept, em parceria com a Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, as mensagens indicam que os procuradores e o então juiz temiam que Teori – morto em um acidente aéreo em 2017 – desmembrasse os inquéritos que estavam sob controle de Moro em Curitiba e os esvaziasse num momento em que as investigações sobre a Odebrecht avançavam rapidamente.

Segundo as conversas, por descuido, no dia 22 de março de 2016 a Polícia Federal anexou os documentos da Odebrecht aos autos de um processo da Lava Jato sem preservar seu sigilo, o que permitiu a divulgação do material por um blog mantido pelo jornalista Fernando Rodrigues na época.

“Tremenda bola nas costas da Pf”, disse Moro, em mensagem a Dallagnol. “E vai parecer afronta”, acrescentou, referindo-se à reação que esperava do Supremo.

Deltan procurou então encorajar Moro e lhe prometeu apoio incondicional. “Saiba não só que a imensa maioria da sociedade está com Vc, mas que nós faremos tudo o que for necessário para defender Vc de injustas acusações”, escreveu.

“Moro está chateado”
Em 28 de março, após receber manifestação formal do Ministério Público sobre os processos, Moro mandou para o STF dois inquéritos e uma ação penal que estavam em andamento em Curitiba, incluindo os autos com a lista da Odebrecht, para que Teori decidisse o que fazer com eles.

As mensagens mostram também que procuradores e policiais se mobilizaram em diversos momentos para manter o juiz como um aliado da força-tarefa, seguindo sua orientação até mesmo quando criticou uma procuradora cujo desempenho numa audiência lhe parecera fraco.

No caso da lista da Odebrecht, Deltan procurou o delegado Márcio Anselmo, que chefiava as investigações sobre a empresa, minutos depois de receber a reclamação do juiz. “Moro está chateado”, escreveu. “Vai apanhar mais do STF, porque vai parecer afronta”, acrescentou, repetindo a palavra usada pelo juiz antes.

Deltan afirmou ao delegado que ele cometera um erro na sua avaliação e pediu que fosse mais cuidadoso. “O receio é que isso seja usado pelo STF contra a operação e contra o Moro. O momento é que ficou ruim”, explicou. “Vem porrada.”


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